Amazonas tem quase 49 mil alunos com atraso escolar, aponta censo do MEC
Dificuldades de acesso às escolas, mudanças provocadas pela seca dos rios e ingresso tardio na educação estão entre os principais fatores
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 09/07/2026 às 07:23 | Atualizado em: 09/07/2026 às 07:23
O Amazonas registra 48.918 estudantes das redes pública e privada em situação de distorção idade-série, segundo dados do censo escolar do Ministério da Educação (MEC).
O levantamento revela que milhares de alunos estão matriculados em séries incompatíveis com a idade, uma realidade que atinge principalmente comunidades rurais e ribeirinhas, onde o acesso à escola é dificultado por fatores geográficos e sociais. Como informa o g1.
Embora o índice de distorção idade-série no ensino médio tenha recuado 27,9% no Brasil entre 2022 e 2025, a Região Norte ainda concentra o maior percentual do país, com 24,3% dos estudantes nessa condição.
Nas comunidades ribeirinhas amazonenses, a jornada escolar começa antes do amanhecer. Em muitas localidades, embarcações percorrem os rios recolhendo os estudantes para garantir o acesso às salas de aula. Apesar desse esforço, a distância, os problemas de transporte e as mudanças na dinâmica dos rios contribuem para a evasão escolar, reprovações e atrasos no percurso educacional.
Na comunidade Nossa Senhora do Livramento, na zona rural de Manaus, a diretora da escola municipal, Roberta Barros, afirma que a seca dos rios altera a rotina das famílias e provoca deslocamentos frequentes, comprometendo a continuidade dos estudos.
“Muitas vezes os ribeirinhos se mudam por causa da seca. Eles vão para outra comunidade ou para Manaus em busca de abrigo. Isso faz com que o aluno precise pedir transferência e, muitas vezes, interrompa os estudos”, explicou.
Além da mobilidade das famílias, o funcionamento das escolas também depende do comportamento dos rios. Calendários letivos e horários das aulas são adaptados aos períodos de cheia e vazante para garantir o deslocamento seguro de estudantes e professores.
Para o especialista em educação Ernesto Faria, diretor-fundador do IEDE e cocriador da plataforma QEdu, os desafios logísticos da Amazônia dificultam a permanência dos alunos nas escolas.
Segundo ele, a seca compromete o transporte escolar, enquanto o acompanhamento dos estudantes pelas redes de ensino exige alto custo operacional. Faria também destaca que muitos alunos ingressam tardiamente na escola, já em situação de defasagem, e aponta a cultura da reprovação como outro fator que contribui para a distorção idade-série no Brasil.
Especialistas avaliam que a redução desse quadro depende de políticas voltadas à permanência dos estudantes na escola, ampliação do acesso à educação nas áreas mais remotas e estratégias para evitar a evasão e a repetência escolar.
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Foto: reprodução/Rede Amazônica
