Paralelo 11, o 12º romance de Sandra Godinho, vai ser lançado na Flip

A obra é o último livro da trilogia que trata de massacres de indígenas na Amazônia

Paralelo 11, o 12º romance de Sandra Godinho, vai ser lançado na Flip

Wilson Nogueira, da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 11/07/2026 às 10:02 | Atualizado em: 11/07/2026 às 10:02

Sandra Godinho vai lançar Paralelo 11 no dia 25/7, na Feira Literária Internacional de Parati (Flip), no Rio de Janeiro, festival que reúne pessoas de todo o mundo para participarem de palestras, debates, lançamentos, performances poéticas e outras atividades culturais.

Paralelo 11 é o último livro da trilogia que trata de massacres de indígenas na Amazônia. Os outros dois livros são: Tocaia do Norte (assassinato de 3.000 waimiri-atroari, em 1968, na BR-174) e A secura dos Ossos [massacre dos Yanomami, em 1993).

Paralelo 11(Faria e Silva) é finalista do Prêmio LeYa de 2024, concurso realizado pelo grupo editorial português LeYa, para descobrir e divulgar obras inéditas de autore(a)s países que falam a língua portuguesa.

A obra já está disponível para pré-venda e será lançado em Manaus (AM) em breve, depois de ser apresentado na Flip.

Ela publicou quatro livros de contos e 12 romances, com os quais conquistou prêmios e leitores em nível nacional e internacional. Uma das suas obras inédita, A bússola dos gigantes, foi selecionada no concurso Frauta de Barro, promovido pela Editora Valer, para publicação até o final deste ano.

Sandra nasceu no Rio de Janeiro, mas se radicou em Manaus em 2003, onde fez graduação em Letras (Língua Inglesa) e Mestrado em Letras (Estudos da Linguagem), na Universidade Federal do Amazonas Ufam). É membro da Cadeira 78 da Academia Internacional de Literatura Brasileira (AILB), com sede em Nova Iorque (EUA).

Com suas obras de temática amazônica, Sandra Godinho conquistou o espaço de reconhecimento entre as escritoras que estão conectadas às perspectivas das teorias pós-colonial, decolonial, estudos culturais e feministas, como pontua José Benedito dos Santos, organizador da coletânea Emergência da escrita de mulheres na literatura amazonense contemporânea: 2007-2018).

O livro, editado pela Pedro e João Editores (São Carlos (SP) especialista em Ciências Humanas, começou a circular em 2004, com a análise das obras de Violeta Branca, Astrid Cabral, Albertina Costa Rego de Albuquerque, Márcia Wayna Kambeba, Silvia Aranha de Oliveira Ribeiro, Izes Negreiro, Vera do Val e Sandra Godinho.

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Confira a entrevista:

Então, o livro já estava em pré-venda, mas existe uma data para ser lançado em Manaus?

O livro entrou em pré-venda agora e vai ser lançado na Flip, em Paraty, Casa Oásis, dia 25, pela Editora Faria e Silva. Após este lançamento, estou programando outro lançamento em Manaus, assim que os exemplares chegarem. Ainda não tem um dia agendado, mas o lançamento será divulgado nas redes sociais.

Esse é um livro que já circula premiado. O que significa isso para a escritora?

Um livro premiado confere uma certa chancela de qualidade à obra, muito embora ele tenha sido finalista do Prêmio Leya em 2024 e não exatamente vencido, mas o que realmente divulga uma obra é o boca-a-boca entre os leitores, é a experiência emocional que a narrativa traz a cada um que o lê. Espero que os leitores se identifiquem, que reflitam sobre os conflitos humanos ao terminarem de ler a última página!

O que você pode adiantar para o leitor a respeito do enredo do Paralelo 11?

Esta é uma história ficcionalizada, mas inspirada no massacre dos indígenas Cinta-Larga no paralelo 11.
Tive a felicidade de receber o relato real do ex-missionário Egydio Schwade, noviço à época, e que testemunhou a chegada dos seringueiros fugidos no Seminário em Diamantino, o que me facilitou muito o processo de criação.

Numa sinopse rápida e sem dar spoiler, trata-se de um casal cearense que, ao perder seu filho, resolve vir para o seringal Paraíso, na fronteira tríplice do Sul do Amazonas, Mato Grosso e Rondônia. Lá, eles enfrentam as duras condições de vida com a ajuda do padre Jonas. Quando o marido se torna jagunço, recebe a incumbência de matar os Cinta-Larga, põe seu casamento em risco, uma vez que a esposa se empenha para salvar a pequen…

Os seus livros narram conflitos sociais e ambientais na Amazônia. Fala um pouco dessa escolha, caso não seja uma “imposição” por fazer parte dela?

Como romancista, o que me interessa narrar são os conflitos humanos, primordialmente, mas também as questões ambientais amazônicas. Foi o que me propus fazer quando decidi me tornar escritora: denunciar as mazelas sociais e ambientais.

Já escrevi sobre o Hospital Colônia de Barbacena, inspirada no livro da Daniela Arbex, Holocausto Brasileiro, e sobre a colonização de Caxias do Sul, de modo que não tenho problema em mudar de cenário. Faço uma pesquisa criteriosa para tornar as personagens verossímeis. Como moro no Amazonas há 23 anos, tenho tomado ciência da exploração da Amazônia e, como a palavra é minha ferramenta, é dela que me utilizo para conscientizar e fazer refletir.

Escrever e publicar é sempre mais difícil para a mulher que se torna escritora? Como está esse ambiente hoje?

Sim, é mais difícil. Felizmente, as mulheres-leitoras (a grande maioria dos leitores é de mulheres) estão impulsionando as mulheres-autoras, com isso, temos visto surgir novas temáticas e novas vozes, em que as mulheres se veem melhor representadas. Maternidade, abuso, violência marital etc. são temas que vieram à baila, discutidos nos clubes de leitura (cuja maioria dos participantes também é de mulheres) mesas-redonda e rodas de conversa.

De modo que o ambiente tem sido favorável à nossa escrita na contemporaneidade.

Você é uma das selecionada no concurso Frauta de Barro, promovido pela Editora Valer. Fala um pouco sobre essa obra.

Estive presente no lançamento do livro Aurora Luzitana, de autoria do amigo Abrahim Baze. Em conversa, ele me instou a escrever sobre a maçonaria. Achei interessante porque não é um tema muito explorado na ficção. Ao pesquisar outras obras e ler os livros do Abrahim, vi que a maçonaria teve um papel fundamental na abolição precoce da escravatura no Amazonas.

Fiquei enlevada pelo papel beneficente da instituição então comecei a pensar numa história que retratasse a maçonaria e fosse interessante em termos de ficção. Daí nasceu A Bússola dos Gigantes. Um livro que gostei muito de escrever.

Entre os livros que a senhora publicou existe um “queridinho”? Por quê?

O meu “queridinho” é Tocaia do Norte, não só pela história envolvendo um dos piores massacres indígenas do Amazonas, mas porque a personagem do João de Deus talvez seja o meu alter ego. Tem muito de mim neste adolescente de 17 anos que descobre um novo mundo nestes rincões amazônicos.

Fotos: divulgação