Gás tóxico paralisa ZFM e fábricas dispensam trabalhadores

Vazamento de estireno na Innova leva gigantes do distrito industrial a liberar funcionários por medida preventiva.

Aguinaldo Rodrigues, especial para o BNC Amazonas

Publicado em: 16/07/2026 às 12:01 | Atualizado em: 16/07/2026 às 12:06

O vazamento de estireno na empresa petroquímica Innova provocou nesta quinta-feira (16 de julho) um dos maiores impactos recentes sobre o funcionamento do polo industrial da Zona Franca de Manaus (ZFM).

Por medida preventiva, grandes fabricantes começaram a liberar trabalhadores e suspender parcial ou totalmente as atividades diante da possibilidade de nova dispersão de gases durante a operação conduzida pelo Corpo de Bombeiros.

A decisão atingiu algumas das maiores empresas instaladas no distrito Industrial de Manaus e demonstra que, embora a situação do tanque esteja sob controle operacional, o risco potencial ainda exige cautela para preservar a saúde e a segurança dos trabalhadores.

Entre as empresas que anunciaram a liberação de funcionários estão Moto Honda, Yamaha, LG, Electrolux, Positivo, Compal, P&G, Boardtec, Boreo, PST, Oriente, PMM, Costa Brasil, RLX Fluidos Refrigerantes, Venttos, Engie, PCE e Digboard, além de outras companhias que passaram a adotar medidas semelhantes ao longo do dia.

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Nova etapa da operação

Segundo o presidente da Federação das Indústrias do Amazonas (Fieam), Antônio Silva, o Corpo de Bombeiros iniciou uma segunda fase da operação para estabilizar completamente o tanque atingido.

Embora a ocorrência esteja controlada, esse procedimento pode provocar momentaneamente nova liberação de vapores, motivo pelo qual diversas empresas optaram por retirar seus colaboradores das unidades industriais.

“As empresas do polo industrial liberam trabalhadores após o vazamento. A situação do tanque é controlada pelos bombeiros e a previsão de normalidade é de 24 horas”.

Ao comentar especificamente a decisão da Moto Honda, Antônio Silva acrescentou:

“A Moto Honda está liberando todos os colaboradores e terceiros devido ao retorno dos gases, mesmo em intensidade menor, mas por segurança. O comando dos bombeiros informa que iniciou uma segunda fase, resfriamento interno dos silos, mas essa ação pode gerar mais gases momentaneamente. Por isso iremos liberar 100%”.

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Bombeiros mantêm controle

As equipes do Corpo de Bombeiros permanecem atuando na área para realizar o resfriamento interno da estrutura atingida, considerado um procedimento essencial para impedir o agravamento da ocorrência.

O comandante-geral da corporação deverá conceder entrevista à imprensa neste dia 16 para detalhar as causas do incidente, as medidas adotadas e a evolução da operação.

A expectativa apresentada pelas autoridades é de que o cenário seja completamente normalizado nas próximas 24 horas.

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Segurança ganha protagonismo

A paralisação parcial do polo industrial evidencia a dimensão do acidente.

Não se trata apenas de um vazamento restrito às instalações da Innova. O episódio passou a interferir diretamente na rotina produtiva de algumas das principais multinacionais instaladas na Zona Franca de Manaus, afetando milhares de trabalhadores e mobilizando um amplo esquema de prevenção.

A decisão conjunta das empresas demonstra que a prioridade, neste momento, é reduzir qualquer possibilidade de exposição dos empregados durante as etapas finais da operação de contenção.

Debate sobre gerenciamento de riscos

O novo desdobramento ocorre um dia após a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) anunciar que exigirá da Innova informações detalhadas sobre as medidas de contenção adotadas, o plano de segurança da unidade industrial e os possíveis reflexos do acidente sobre o empreendimento.

O caso também reacende o debate sobre o gerenciamento de riscos nas indústrias que manipulam produtos químicos potencialmente perigosos.

Há menos de um ano, em agosto de 2025, o distrito industrial registrou o maior incêndio industrial já contabilizado pelo Corpo de Bombeiros.

O fogo atingiu as instalações da Effa Motors e da Valfilm da Amazônia, mobilizou 148 bombeiros e 26 viaturas e produziu enormes colunas de fumaça preta que permaneceram visíveis sobre Manaus durante vários dias.

Embora os episódios tenham causas distintas, ambos reforçam a importância da prevenção, da manutenção permanente dos sistemas de segurança, da fiscalização técnica e da transparência na condução de acidentes envolvendo substâncias químicas e materiais de elevado potencial de risco.

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Empresas que liberaram trabalhadores

Até o fechamento desta reportagem, haviam anunciado a dispensa preventiva de funcionários:

  • • Moto Honda
  • • Yamaha
  • • LG
  • • Electrolux
  • • Positivo
  • • Compal
  • • P&G
  • • Boardtec
  • • Boreo
  • • PST
  • • Oriente
  • • PMM
  • • Costa Brasil
  • • RLX Fluidos Refrigerantes
  • • Venttos
  • • Engie
  • • PCE
  • • Digboard

A relação poderá ser ampliada caso novas empresas adotem medidas preventivas durante a continuidade da operação conduzida pelo Bombeiros.

Foto: reprodução/redes sociais