Aziz, Cidade, Almeida e Do Carmo na disputa pelo comando do Amazonas
Com apoio de Lula, Flávio Bolsonaro e máquinas administrativas, candidatos montam seus palanques para a sucessão estadual
Ana de Oliveira, da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 23/07/2026 às 10:31 | Atualizado em: 23/07/2026 às 10:31
BNC | Amazonas decide 2026 – Série especial do BNC Amazonas acompanhará as convenções, alianças, bastidores e estratégias dos principais grupos na disputa pelo Palácio Rio Negro.
A corrida pelo Governo do Amazonas em 2026 colocou frente a frente quatro forças políticas com estratégias distintas para conquistar o comando do estado.
De um lado, o senador Omar Aziz (PSD) tenta transformar o apoio do presidente Lula da Silva (PT) e uma ampla aliança partidária em vantagem eleitoral.
Do outro, Maria do Carmo Seffair (PL) quer o voto do bolsonarismo; Roberto Cidade (União Brasil) aposta no poder da máquina estatal para ampliar seu espaço; e David Almeida (Avante) se apresentar como uma alternativa independente aos principais campos nacionais.
Embora as composições ainda estejam em andamento no período de convenções partidárias, a disputa já se desenha com os principais candidatos apresentando suas estratégias para a sucessão estadual, em uma eleição influenciada pela popularidade do presidente da República, pelo espólio de Bolsonaro do eleitorado da extrema direita e pela disputa por alianças políticas.
Leia mais
Convenções dão largada à disputa pelo Governo do Amazonas
Omar Aziz, o palanque de Lula no Amazonas
O senador chega à disputa com um dos grupos partidários mais amplos entre os principais candidatos.
A candidatura reúne PSD, MDB, Republicanos e a federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, consolidando o principal palanque do presidente Lula no Amazonas.
A composição aproxima Aziz de Eduardo Braga (MDB), um dos principais caciques políticos do estado. Braga aparece nas pesquisas como primeiro favorito para a reeleição, fortalecendo a aliança entre dois grupos tradicionais da política amazonense.
O PT participa da construção da chapa e articula espaço na composição majoritária. No cenário nacional, Aziz tem como principal ativo político o apoio de Lula, que busca permanecer na Presidência.
A estratégia do grupo é associar a candidatura à parceria com o governo federal, à experiência política e à capilaridade dos partidos aliados no interior.
Leia mais
Omar Aziz divulga convenção sem mostrar vice
Do Carmo e Alberto Neto, a aposta bolsonarista
O PL entra na disputa com Do Carmo como candidata ao Governo do Amazonas e o deputado federal Alberto Neto como nome para o Senado.
O grupo representa o campo político alinhado ao bolsonarismo e ao senador Flávio Bolsonaro, tendo como base o eleitorado da extrema direita.
A estratégia do PL é transformar a eleição estadual em uma disputa entre direita e esquerda, explorando a polarização nacional que marcou os últimos ciclos eleitorais.
A força da candidatura está na identificação com o eleitor bolsonarista, especialmente na capital. O desafio é ampliar esse apoio para além da base ideológica e alcançar eleitores de centro.
Em relação às coligações, o PL, que antes defendia uma chapa “puro-sangue”, passou a admitir oficialmente a possibilidade de discutir alianças eleitorais.
Leia mais
PL rejeita flerte do União Brasil e marca convenção com Do Carmo e Alberto Neto
Roberto Cidade e a força da máquina estadual
O atual governador disputa a reeleição apoiado pela estrutura do governo estadual e pela federação União Progressista, formada por União Brasil e Progressistas.
Entre os principais aliados está o ex-governador Wilson Lima, liderança da base governista e um dos nomes mais fortes do grupo para a disputa ao Senado.
A candidatura também recebeu o apoio do Podemos e do PSB-AM, o partido do possível vice na chapa Serafim Corrêa. Cidade busca ampliar sua base política e mantém discurso de abertura para novas alianças. Ao falar sobre a chegada de novos apoiadores, afirmou:
“Quem quiser vir para o nosso lado será muito bem-vindo”.
Diferentemente de Aziz e da Do Carmo, o grupo ainda não está diretamente vinculado a um presidenciável. A estratégia é ocupar o espaço de centro e centro-direita, explorando a posição de governador e a estrutura administrativa estadual.
Leia mais
‘Tenho o melhor vice desta eleição’, diz Cidade sobre Serafim Corrêa
David Almeida, a terceira via municipalista
O ex-prefeito de Manaus David Almeida tenta construir um caminho próprio na disputa pelo governo.
O grupo reúne Avante e partidos aliados como PDT, Agir, DC e a federação PRD/Solidariedade (ainda não consolidada), formando uma estrutura independente dos dois principais polos nacionais.
O PDT aparece como principal aliado da candidatura. Com o Avante tendo Augusto Cury como presidenciável, Almeida aposta principalmente no capital político construído durante sua gestão na Prefeitura de Manaus e na força eleitoral da capital.
O grupo busca transformar a experiência municipal em uma candidatura estadual, além de articular nomes para as disputas proporcionais e para o Senado.
Leia mais
David anuncia Shádia Fraxe como vice na chapa ao governo
Quatro projetos, uma disputa
Mais do que uma disputa de nomes, a eleição amazonense de 2026 será marcada pelo confronto entre diferentes estruturas de poder e pela capacidade de cada grupo de transformar alianças políticas em votos.
Enquanto Aziz aposta na força da aliança com Lula e na capilaridade dos partidos aliados, Do Carmo busca consolidar a base ligada à direita e ao bolsonarismo. Já Cidade tenta transformar a estrutura do governo estadual em vantagem eleitoral, ao passo que Almeida procura ocupar um espaço independente, sustentado pela força política construída em Manaus, com o forte apoio do prefeito Renato Magalhães Júnior, seu vice do Avante na eleição de 2024.
A disputa pelo comando do Amazonas será definida pela capacidade de cada grupo de ampliar suas bases, conquistar o eleitorado de centro e transformar apoios políticos em votos nas urnas.
Foto: BNC Amazonas
