Lula tira Marcelo Ramos da disputa pela reeleição de Braga

Ex-deputado diz que discorda da decisão, mas que atende apelo do presidente e vai trabalhar pela reeleição do senador do MDB.

PT define Marcelo Ramos, e Lula terá dois candidatos ao Senado no Amazonas

Antônio Paulo, do BNC Amazonas em Brasília

Publicado em: 24/07/2026 às 13:05 | Atualizado em: 24/07/2026 às 13:07

Uma ligação do presidente Lula da Silva pôs fim à pré-campanha de Marcelo Ramos (PT) ao Senado pelo Amazonas.

Depois de meses defendendo a necessidade de uma candidatura petista à vaga, o ex-deputado federal anunciou que está fora da disputa após receber, na tarde de quinta-feira (23 de julho), um pedido pessoal do chefe do Palácio do Planalto para que desistisse do projeto em nome da unidade política da base de apoio ao governo.

Em entrevista ao BNC Amazonas, Ramos revelou que Lula telefonou para comunicar que havia sido construída uma composição política com os partidos aliados e pediu que ele não prolongasse o impasse em torno da candidatura.

“O presidente fez um apelo para que eu não esticasse a corda, porque isso desgastaria as relações, não só internas no partido, como também com os nossos aliados. Desde o início eu sempre disse que a minha prioridade era a reeleição do presidente Lula. Lutei o que pude, lutei o bom combate, mas, nesse momento, tenho que ter responsabilidade com o projeto maior”.

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“Candidatura era caminho correto”

A declaração confirma que a retirada não decorreu de uma decisão pessoal ou eleitoral, mas de uma intervenção direta da direção nacional do PT, conduzida pelo próprio presidente da República.
Na nota divulgada horas depois da conversa, Ramos afirmou que continua convencido de que o PT deveria disputar o Senado no Amazonas, mas decidiu atender ao pedido de Lula.

“Continuo achando que a candidatura ao Senado do PT era o caminho mais correto e uma responsabilidade histórica do partido com o campo progressista do Amazonas, mas não posso soltar a mão e confrontar o presidente, que é o nosso líder”.

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Discordância preservada

Embora tenha acatado a orientação presidencial, Ramos deixou claro que não mudou de opinião sobre a estratégia eleitoral.

Ele afirmou que considerava mais vantajoso para o campo progressista oferecer ao eleitor de Lula duas opções de voto ao Senado e defender uma candidatura explicitamente identificada com o enfrentamento ao bolsonarismo.

“Eu reafirmo que entendo que a posição mais correta era manter a candidatura, tanto do ponto de vista tático eleitoral quanto por uma questão política. Nós precisaríamos ter uma candidatura majoritária comprometida com o enfrentamento ao bolsonarismo. Mas o presidente Lula é meu líder. Em momentos de crise, eu confio nele. Continuo achando que esse não é o melhor caminho, mas seguirei a orientação do meu líder”.

A fala evidencia que a desistência não representa uma mudança de convicção, mas um gesto de disciplina partidária em favor da estratégia definida pela direção nacional.

Fora das urnas

Ramos também descartou disputar qualquer outro cargo nas eleições de 2026.

Segundo ele, essa decisão já havia sido comunicada ao PT: caso não fosse candidato ao Senado, permaneceria fora da disputa eleitoral.

“Eu já deixei claro que não disputarei a eleição, não serei candidato a nada. Se não fosse candidato ao Senado, eu não seria candidato em outra eleição, porque não me preparei para disputar outro cargo e meus aliados já têm outros compromissos”.

Apesar de deixar a corrida eleitoral, ele garantiu participação ativa na campanha do presidente Lula e dos candidatos petistas.

“Estarei absolutamente inserido na campanha de reeleição do presidente Lula, do senador Omar [Aziz], para o governo, na reeleição do senador Eduardo [Braga], dos deputados estaduais e federais do PT. Como militante. Esse é o meu propósito”.

Sem negociação política

Durante a entrevista, Ramos fez questão de afastar qualquer interpretação de que sua desistência tenha sido condicionada à promessa de um cargo futuro.

Segundo ele, Lula e a direção nacional chegaram a mencionar um projeto político futuro adiante, mas ele preferiu nem discutir o assunto.

“Um pedido do presidente Lula para mim é um pedido incondicional. Eu não preciso condicionar nada. O futuro a gente decide mais à frente. Não quero que pareça que é uma troca. Não é uma troca. O presidente Lula me fez um pedido e eu não preciso ter nada em troca para atender um pedido do presidente”.

Assim, com a retirada de Ramos, o PT deixa de disputar uma das duas vagas ao Senado no Amazonas e concentra seus esforços na reeleição do presidente Lula e na campanha dos candidatos da legenda e da base aliada, encerrando uma pré-campanha que o próprio ex-deputado define como uma luta levada “até onde pôde”, interrompida apenas pela intervenção direta do principal líder do partido.

Nota de Marcelo Ramos

“Em 2024, eu estava decidido a abandonar a política. Naquele ano, o presidente Lula me fez um pedido pessoal para ser candidato a prefeito de Manaus e eu, muito honrado, dediquei o melhor de mim àquele projeto.

Agora, o presidente Lula me passou um comando pessoal de que o PT não terá candidato ao Senado no Amazonas nessas eleições. Ontem, ele me fez um apelo para, em nome da unidade da sua base de apoio e do próprio PT, não esticar a corda nessa questão.
Enfrentei essa pré-campanha com coragem e firmeza, sempre deixando claro que a reeleição do presidente Lula era prioridade.

Lutei até onde pude lutar. Continuo achando que a candidato ao Senado do PT era o caminho mais correto e uma responsabilidade histórica do partido com o campo progressista do Amazonas, mas não posso soltar a mão e confrontar o presidente, que é o nosso líder.

Seguirei nas ruas e nas redes sociais dedicado a campanha do presidente, dos candidatos do PT e da nossa base de apoio — mas fora da disputa eleitoral.

Agradeço o carinho, o respeito e a confiança dos milhares de amazonenses, em especial aos militantes do PT, que estiveram ao meu lado nessa jornada. Seguiremos juntos pela reeleição do presidente Lula e pela eleição de um Congresso mais comprometido com os interesses do povo brasileiro”.

Foto: Pablo Brandão/PT/divulgação