PF contrata monitoramento por R$ 49 milhões e Inpe tem o mesmo serviço

A compra ocorre em meio a cortes de gastos e ao mesmo tempo em que o Ministério da Defesa iniciou a aquisição de satélite com finalidade semelhante pelo valor de R$ 145 milhões

Ambientalistas e agronegócio juntos contra desmatamento na Amazônia

Publicado em: 02/09/2020 às 10:57 | Atualizado em: 02/09/2020 às 10:57

A Polícia Federal assinou nesta segunda-feira (31) contrato de R$ 49 milhões para ter acesso a imagens de satélite pelo período de um ano.

A compra tem entre as justificativas monitorar desmatamento e queimada.

A assinatura ocorre em meio a cortes de gastos e ao mesmo tempo em que o Ministério da Defesa iniciou a aquisição de satélite com finalidade semelhante pelo valor de R$ 145 milhões.

Integrantes do Inpe, órgão que fiscaliza o desmatamento, criticam e afirmam já possuir sistema com as mesmas funções.

 

Leia mais

MPF cobra do Incra compromisso na redução do desmatamento na Amazônia

Quem participou da contratação diz que a empresa Planet tem a melhor resolução de imagem do mercado e consegue mapear diariamente as áreas de interesse, mostrando ocorrências desde seu início.

Delegados e peritos afirmam que o sistema vai ser útil para outras investigações, como fraudes em obras, mineração irregular e plantio de ilícitos —o que vai além do trabalho do Inpe.

Desde maio, o Ministério da Justiça fez apresentações pela Esplanada e angariou apoiadores.

A CGU e a Infraestrutura já avisaram que devem utilizar o sistema.

Pelo contrato, todo o governo federal, estados e municípios do país terão acesso às imagens, o que é tratado como um trunfo.

Os R$ 49 milhões serão pagos com dinheiro do Fundo Nacional de Segurança Pública, vinculado à pasta da Justiça.

A contratação da PF ocorreu por inexigibilidade de licitação sob o argumento de que a Planet entrega um serviço único, que nenhuma outra empresa tem.

Integrantes do Inpe disseram ao Painel que o uso do sistema para monitorar o desmatamento não resolverá o problema —a questão é a falta de estrutura, não a ausência de imagens.

Um dos ouvidos diz que quanto maior a resolução, maior é a frustração.

 

Leia mais  na Folha de S.Paulo

 

Foto: Divulgação