Brasileiros: o poder do boicote! Canadá mostra como o povo revida aos EUA

Em um ato de firmeza e orgulho nacional, o povo canadense transformou o consumo em uma arma

Por Plínio César Coelho

Publicado em: 02/10/2025 às 20:28 | Atualizado em: 02/10/2025 às 20:28

A retórica protecionista e as ameaças tarifárias do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não encontraram apenas resistência diplomática no Canadá. Elas esbarraram em algo ainda mais poderoso: o boicote popular do cidadão comum.

Em um ato de firmeza e orgulho nacional, o povo canadense transformou o consumo em uma arma, e os números provam que essa reação popular teve impacto real.

A grande questão para o Brasil é: devemos ter a mesma “vergonha na cara” e mobilizar o povo dessa forma? A resposta reside em entender a eficácia dessa ação.

A prática do patriotismo no consumo

A resposta popular canadense foi imediata e coordenada, visando diretamente o bolso e o turismo americano.

Primeiramente, houve uma mudança drástica nos hábitos de compra.

Pesquisas de opinião realizadas durante o auge das tensões revelaram que cerca de dois terços dos canadenses (66%) afirmaram ter reduzido a compra de produtos fabricados nos EUA em lojas físicas.

O boicote se estendeu para o e-commerce, com 55% dos entrevistados indicando que estavam fazendo menos pedidos na Amazon (empresa americana).

O objetivo era claro: causar dor econômica em setores e estados dos EUA que apoiavam a política de Trump.

Embora o impacto total seja difícil de isolar das tarifas governamentais, o movimento popular fez parte de uma disputa comercial que analistas estimaram poder redirecionar bilhões de dólares no comércio bilateral.

O turismo como ato político

Em segundo lugar, a resposta popular atingiu o setor de turismo. Em vez de gastar dinheiro em um país que estava insultando e ameaçando sua economia, os canadenses optaram por “viajar em casa” ou escolher outros destinos.

Os dados são eloquentes: em um dos períodos de maior tensão, as viagens de carro de residentes canadenses para os EUA caíram 23% em relação ao ano anterior. As viagens aéreas também apresentaram queda.

Esse declínio foi significativo, dado que o Canadá é o país que historicamente mais envia viajantes para os Estados Unidos, transformando o ato de cancelamento em um poderoso gesto de soberania popular e retaliação financeira.

A lição para o Brasil

O caso canadense mostra que a defesa da dignidade nacional não é apenas papel do governo. O Brasil, diante de qualquer ameaça de ex-líderes ou atuais presidentes estrangeiros, tem a oportunidade de seguir o espírito dessa firmeza popular.

Embora o Brasil tenha uma alavanca econômica mais forte na exportação de commodities e no uso da OMC (Organização Mundial do Comércio), a mobilização popular—o boicote consciente a produtos ou serviços de nações hostis—seria uma demonstração de união e orgulho que fortaleceria qualquer postura diplomática firme do governo. O boicote popular não é apenas economia; é um sinal de que a nação está unida em torno de sua soberania.

Que o Canadá sirva de exemplo para o Brasil e os brasileiros.

O autor é economista, professor-adjunto da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), mestre em administração pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e doutorando em ciências empresariais e sociais na Universidad de Ciencias Empresariales y Sociales (Uces), Buenos Aires, Argentina.

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