Dúvidas sobre as intenções dos políticos
Flávio Lauria reflete sobre a crise da política brasileira, distinguindo a política como instrumento do bem comum da prática degradada de muitos políticos na vida pública.
Por Flávio Lauria*
Publicado em: 26/06/2026 às 16:57 | Atualizado em: 26/06/2026 às 16:57
Caros leitores, o político brasileiro é tema para a paleontologia, ciência que estuda os fósseis. Ele constitui uma espécie jurássica, que deveria figurar nos museus de história natural, e não no Congresso. Claro que um ou outro parlamentar sabe preservar sua dignidade em meio à baixaria.
A imprensa e as redes sociais adquirem hoje tal poder de fogo que muitas carreiras políticas dependem de sua disposição para fazê-las prosperar ou serem jogadas no limbo do esquecimento, quando não entre os condenados como réprobos.
Isso produz reflexos nas pesquisas, cuja leitura não deve ser elemento definitivo para o julgamento do eleitorado. A uma distância tão grande do episódio eleitoral, nada ainda é definitivo.
Desgraçadamente, a mentira política sobrevive nos dias atuais, matando esperanças, perseguindo virtudes, divinizando crimes, inquietando pessoas e destruindo nomes.
Tudo isso perturba a serenidade da consciência moral e perverte o sentimento da dignidade humana. Na explicação das mutações sociais, não há que se culpar a política, mas aqueles que a exercitam dolosamente.
O ideal clássico da vida pública
Política não é essa sofreguidão em defender interesses individuais. É o uso legítimo do poder para alcançar o bem comum da sociedade. Não se pode esquecer Sócrates, que advertiu aos homens de bem e justos que entrassem para a política.
O maior castigo do homem de bem, que recusa governar os outros, é ser governado pelos piores. Difícil chegar ao idealismo de Platão, que coloca a vida pública à altura de um sacerdócio.
Difícil também aceitar o conceito aristotélico de política, ao considerá-la a mais alta das ciências. Foi essa repulsa à política que ensejou a ascensão do maquiavelismo. Aí está a herança desse maquiavelismo sequioso.
A indignação do presidente, como outrora fizera Ruy, tem justificativa, porque o Brasil, que não é o da mentira, tem um povo de alma livre, imprensa sem censura e regras democráticas sem coação. O Brasil não é isso que se assoalha como crise aguda e invencível. O Brasil real é confiante no seu destino e na força de seu potencial.
Não desacredito na política, mas duvido muito das intenções dos políticos, cuja campanha sempre capitula na solução dos problemas.
O autor é doutor em Administração Pública.*
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