Por Rosiene Carvalho, da Redação

 

A presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, apresentou ao Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) pedido para que seja anulada parcialmente a Convenção Estadual do PT no Amazonas.

Com isso, o tempo de TV que a coligação do candidato ao Governo do Amazonas, David Almeida (PSB), conseguiu firmar para minimizar a vantagem dos adversários sobre ele fica em risco de ser inviabilizado. Com o PT, David conseguiu cerca de três minutos. Sem o PT, o tempo deve cair mais  que  a metade.

“Nos termos do quanto decidido, por decorrência legal, a Coligação majoritária da qual participará o PT-AM deverá conter o PCdoB, sob pena de sua inviabilidade, a par da leitura do art. 6º da Lei n. 9.504/97”, informa trecho da petição.

A convenção estadual do PT-AM, no dia 5, fechou apoio ao pré-candidato ao governo e presidente da ALE-AM, David Almeida (PSB). Além disso, indicou o vice na chapa, o advogado Jorge Guimarães,  abriu mão de indicar  candidato  ao Senado e deixou Vanessa Grazziotin (PCdoB) fora do palanque após veto do PSB.

Gleisi Hoffmann informa ao TRE-AM, por meio dos advogados do PT, que a prioridade de coligação majoritária no Amazonas era  com o PCdoB e que a candidatada ao Senado apoiada pela sigla é Vanessa.

“A Comissão Executiva Nacional do Partido dos Trabalhadores, em reunião realizada no dia 08/08/2018, (…) ANULOU PARCIALMENTE a Convenção Eleitoral do PT-AM, realizada no dia 05/08/2018, para determinar que a coligação para eleição a cargos majoritários será composta pelo PT-AM e o PCdoB-AM tendo a senhora VANESSA GRAZZIOTIN como candidata ao cargo de Senadora da República”, indica trecho da petição.

O documento informa ao TRE-AM, ainda, que caberá à Executiva Estadual, junto com os demais partidos, indicar os suplentes da candidatura da Sra. Vanessa Grazziotin ao Senado Federal, além de definir acerca da segunda candidatura ao Senado e seus suplentes.

A  informação acerca da deliberação superior tomada pela Executiva Nacional do Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores foi distribuída para o juiz Abraham Campos Peixoto Filho.

Casamento conturbado

A aliança PT e PSB no Amazonas foi marcada, no dia da convenção, por um chá de cadeira em David  Almeida  que ficou nas proximidades do Sindicato dos Metalúrgicos  aguardando a deliberação do PT-AM sobre o anúncio do apoio à sua candidatura.

Havia vários constrangimentos nesta aliança. Entre os quais, a não disposição  de David  Almeida para “abraçar” a campanha de Lula à presidência da República e a da senadora Vanessa Grazziotin.

Por outro lado, David  anunciou apoio à candidatura do vereador Chico Preto (PMN), simpatizante de Jair Bolsonaro (PSL) à presidência da República.

Em meio às negociações  da aliança,  por um  veto do PCdoB, a executiva nacional barrou o ex-deputado federal Francisco Praciano da disputa  ao Senado.

Partidários de Praciano, na saída de David do Sindicato dos Metalúrgico, se envolveram em empurra-empurra e  agressões  com seguranças do deputado.

Desde  a convenção, cresce nos bastidores  os comentários de que o PT poderia sair da chapa de David, embora o presidente estadual do PT, Sinésio Campos, tenha negado a possibilidade.

A expectativa sobre este assunto aumento após a presidente nacional da sigla, Gleisi Hoffmann conceder uma série de entrevistas  à mídia no Amazonas afirmando que não aceitaria o veto à Vanessa e que a comunista era a candidata do PT ao Senado.

Nesta terça-feira, dia 14, artistas  globas como Dira  Paes e José de Abreu manifestaram em suas redes  sociais apoio à reeleição de Vanessa, denunciando o veto a ela no Amazonas para que a senadora não se reeleja.

Advogados eleitoralistas ouvidos pelo BNC nesta terça-feira, que preferiram não se identificar, afirmaram que a esta altura do jogo não é possível mais colocar o PT na aliança com Vanessa Grazziotin em função do fim do período de convenções.

No entanto, esses mesmos advogados dizem que a retirada  do PT da coligação de David é possível e legal.

A reportagem tentou ouvir o presidente estadual do PSB no Amazonas, Marcelo Serafim, mas ele não respondeu às mensagens  enviadas pelo Whats App. O mesmo ocorreu com o candidato ao Governo, David  Almeida.

 

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