Por Thomaz Antonio Barbosa*

 

A história da Zona Franca de Manaus não poderá ser um capítulo a mais na saga da borracha. Ela tem vida própria, personagens, situações, luz e cor que definem muito bem o enredo que está sendo contado agora. Em cena neste momento o decreto 9.394, de parte da Presidência da República, datado de 30 de maio, do ano em curso.

No bojo, a lei altera a tabela de incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados, saindo da alíquota de vinte para quatro por cento para os concentrados de refrigerantes. Para que se entenda, trata-se de uma medida compensatória para o governo faturar em torno de R$ 700 milhões para ajudar a cobrir o rombo do diesel deixado pelas benesses dadas aos caminhoneiros.

Sobrou para o povo do Amazonas pagar com o suor do seu trabalho as mazelas de treze anos de um governo desmantelado e inconsequente, que enfiou o Brasil na maior crise de infraestrutura de sua história.

A redução de alíquota do IPI vai causar uma migração em cadeia das empresas instaladas na ZFM para outros polos com mais facilidade de logística, por exemplo. Perderemos arrecadação e empregos.

Um dia após a publicação do decreto, em pleno feriado de Corpus Christi, o deputado federal Pauderney Avelino procurou o presidente da República, Michel Temer, para convencê-lo do estrago que causaria ao Amazonas tal medida. Na manhã seguinte, sob a coordenação do senador Omar Aziz, a nossa bancada federal saiu em defesa da ZFM.  A partir de então, aconteceu uma reação sistemática e bem coordenada.

Pelas mãos de Vanessa Grazziotin, Eduardo Braga e do próprio Omar Aziz, foi apresentado no senado federal um projeto de decreto legislativo para sustar a medida do presidente Temer. Por sua vez, Pauderney Avelino fazia o mesmo na Câmara dos Deputados.

De imediato foi conquistada a “noventena”, sustando por 90 dias a vigência do decreto 9.394, criando um período para se encontrar uma solução para o problema. No entanto, não teve eficácia.

No dia 4 de julho, com o uso de “fakes informations” e com a articulação de Lindembergh Farias e Gleisi Hoffman, senadores do PT, o presidente Michel Temer conseguiu obstruir o quórum de votação do decreto legislativo.

O argumento do Executivo era que os estados teriam prejuízos no repasse de recursos, enquanto os parlamentares petistas se pegavam no velho discurso falacioso sobre a política de isenção fiscal da ZFM.

Enfim, chega o dia da votação em plenário, 10 de julho, e entra em cena um personagem decisivo nessa batalha: o inquieto senador e coordenador da bancada do Amazonas em Brasília.

Um homem que não se cala, que não se curva, sequer acha lugar na cadeira. Omar Aziz defende a ZFM em palavras, gestos e expressões.  É a metamorfose de um político acostumado a sangrar pela sua terra.

Navega como um velho lobo na turbulência das águas impiedosas do mar de lama da política brasileira que, neste momento, se arrebenta em nossos barrancos.

A hora passa, o clima fica tenso, os inimigos se declaram. O protagonista Omar Aziz, a estrela da companhia, na sua inquietude sã, enfrenta adversários, conluios, barreiras e triunfa com a grandeza de um vencedor que não se importa com o ônus da batalha, apenas com sua bandeira tremulando no mastro.

Pelo seu jeito intrépido, Omar impõe o ritmo da batalha. Vem o sórdido Lindembergh, a ardilosa Gleisi e ele os dilacera com a voracidade de um felino em defesa do seu território.

Nessa hora a paixão se sobrepõe ao homem, o racional se funde ao emocional, e ele luta!

Triunfo no Senado, agora é a vez da câmara federal. Por sua ação no primeiro ato desse drama, Pauderney recebeu destaque na mídia nacional e local e elogios de Omar.

O embate está anunciado, provavelmente será na primeira semana de agosto.

Estamos em desvantagem numérica na bancada, mas não em talento e coragem. E o que se espera para o segundo ato dessa tragédia?

Na coxia, o conluio de dois partidos que, não satisfeitos em destruir o Brasil, apostam suas fichas em desta vez acabar com a ZFM; na plateia, um povo vocacionado para o crescimento clamando justiça; no palco, os protagonistas de um espetáculo onde o desfecho esperado certamente será com mais uma vitória do Amazonas.

 

In memoriam de uma estrela

Neste 13 de julho de 2018, externo o meu mais sincero pesar ao senador Omar Aziz e a seus familiares e parentes e sentimento de gratidão que, certamente, é de todos aqueles que escrevem, dirigem e protagonizam a história da nossa terra.

O tempo, maior algoz de nossas vaidades, também é o maior arquiteto das nossas virtudes.

Apagam-se as luzes por enquanto. Silêncio, aplausos na galeria!

 

*O autor é contador, formado em ciências contábeis pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam), MBA em marketing pela Universidade Gama Filho e mestrando em ciências empresariais na UFP/Porto, em Portugal.