Falta de respeito a uma pessoa de bem

Artigo de Flávio Lauria reage à cobertura do Fantástico sobre caso de “cocaína preta” e acusa precipitação na exposição da empresária Liege Aurora.

Por Flávio Lauria*

Publicado em: 20/11/2025 às 10:35 | Atualizado em: 20/11/2025 às 14:17

Caros leitores, iria escrever hoje sobre a tarefa legislativa, porém, paro para registrar um tipo de comportamento que não contribui no sentido da respeitabilidade da imprensa, cuja consciência no Brasil, felizmente, vem aumentando o rigor contra desvios de profissionais os seus verdadeiros compromissos, vide o caso do banco Master nesta semana.

O jornalista, para cumprir o papel que as leis das sociedades livres lhe outorga, há de ser sempre fiel aos fatos e à verdade. Do contrário, trai a confiança popular e renega o dever assumido, num processo típico de apostasia profissional.

O episódio que chamou minha atenção, e fez com que dedicasse meu espaço a esse comentário, refere-se a matéria do programa “Fantástico”, da Rede Globo, exibido no último domingo, sobre a “cocaína preta”, encontrada na residência de Liege Aurora Cruz.

Quem conhece Liege sabe de sua vida de empresária, e de sua idoneidade moral, exposta ao Brasil como proprietária não só do imóvel, mas do conteúdo de drogas de seu caseiro que está preso, em que Liege não tinha o menor conhecimento de que o puxadinho da casa desse caseiro era o depósito de drogas, e escondido em quadros e poltronas.

Sendo a franqueza a mais incontrolável das qualidades de Liege, não foi sem penas que angariou o cacife moral que acumulou. Liege, acumula os predicados de honestidade, coerência e franqueza, e jamais participaria de qualquer ato desonesto, principalmente, no que se refere a drogas.

Mas, este artigo, não é para elogiar as qualidades de Liege, mas sim para alertar, que a precipitação e a falta de rigor são vírus que ameaçam a qualidade informativa.

A manchete de impacto, oposta ao fato ou fora do contexto da matéria, transmite ao leitor ou telespectador o desconforto de um logro.

A apreensão das drogas é um papel da polícia, e louva-se o trabalho investigativo, mas expor com foto, com inverdades, dizendo que a proprietária estava foragida, é de uma perversa patologia, tornando-se um jornalismo insosso.

*O autor é mestre e doutor em administração pública.

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Foto: divulgação