Amazonas: tráfico humano e trabalho escravo têm alta recorde de 310%
Crescimento de denúncias e fiscalização eleva processos por exploração humana ao patamar recorde no Amazonas e no Brasil.
Iram Alfaia, do BNC Amazonas em Brasília
Publicado em: 28/01/2026 às 20:09 | Atualizado em: 28/01/2026 às 20:52
O Amazonas registrou 123 novos processos relativos a tráfico de pessoas e trabalho escravo em 2025, um crescimento recorde de 310% em relação a 2024, quando chegaram ao judiciário local 30 novos processos.
Os dados foram divulgados pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) por conta do Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo, marcado nesta quarta-feira, 28 de janeiro.
Segundo o CNJ, o judiciário brasileiro recebeu, em 2025, 12 mil novos processos relativos a tráfico de pessoas e trabalho escravo.
O número é mais que o dobro do registrado no ano anterior, quando 5,6 mil processos começaram a tramitar na Justiça.
O presidente do Fórum Nacional do Poder Judiciário para Monitoramento e Efetividade das Demandas Relacionadas à Exploração do Trabalho em Condições Análogas à de Escravo e ao Tráfico de Pessoas (Fontet), Alexandre Teixeira, diz que o aumento dos processos se deve a maior fiscalização e denúncias.
O conselheiro do CNJ afirmou que, em 2025, houve aumento recorde de denúncias de trabalho escravo no Brasil.
O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) registrou 4.515 denúncias no Disque 100, o maior número da série histórica (iniciada em 2011).
“Mas não podemos ignorar que esse crescimento também pode ter como causa a intensificação da exploração”, diz o presidente do Fontet.
Aumento dos processos
A coordenadora do Programa de Princípios e Direitos Fundamentais da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Maria Cláudia Falcão, afirma que o crescimento dos processos judiciais relacionados ao trabalho escravo está diretamente ligado ao avanço da conscientização social.
Segundo ela, a sociedade atual compreende melhor os mecanismos de exploração do trabalhol, está mais informada, mobilizada e consciente de seus direitos.
“Hoje, um vizinho que percebe uma situação suspeita não hesita em denunciar. Além disso, as ações de fiscalização tornaram-se mais frequentes, ampliando a capacidade de identificar e combater essas práticas”, diz.
Foto: Secretaria de Inspeção do Trabalho/reprodução
