Amazonas, que produz gás em abundância, vê botijão subir em Manaus

Com Urucu, gasoduto próprio e produção suficiente para abastecer a região Norte, estado registra nova alta no preço do gás de cozinha.

Da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 18/06/2026 às 09:49 | Atualizado em: 18/06/2026 às 10:01

O aumento do preço do botijão de gás de 13 quilos em Manaus e, consequentemente, no interior do estado recoloca em evidência uma contradição histórica da economia amazonense. Mesmo sendo um dos principais produtores de gás natural do país, com a província petrolífera de Urucu, em Coari, e uma estrutura de transporte que liga os campos de produção à capital, o Amazonas continua convivendo com sucessivas altas no valor do combustível utilizado diariamente pelas famílias.

Levantamento divulgado pelo Procon Manaus aponta aumento no preço do botijão de 13 quilos comercializado na capital. 

O reajuste atinge um produto considerado essencial para milhões de brasileiros e reacende o debate sobre os benefícios efetivos da riqueza energética produzida no estado.

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Riqueza energética distante do consumidor

A produção de gás natural no Amazonas está concentrada na província petrolífera de Urucu, localizada no município de Coari, no rio Solimões. 

A região abriga uma das maiores reservas terrestres de petróleo e gás natural do Brasil e constitui um dos principais polos energéticos da Amazônia.

A estrutura inclui o gasoduto Urucu-Manaus, construído para transportar o combustível até a capital amazonense, além da produção de GLP, o gás liquefeito de petróleo utilizado nos botijões de cozinha distribuídos em toda a região Norte.

Apesar dessa condição estratégica, os reajustes seguem impactando diretamente o consumidor amazonense. 

O cenário gera questionamentos recorrentes sobre por que um estado produtor de energia continua submetido a preços que pouco refletem sua condição privilegiada na cadeia de produção.

Gás que volta para o subsolo

Outro aspecto que chama atenção é o fato de parte da produção de gás natural extraída no Amazonas historicamente precisar ser reinjetada nos próprios reservatórios.

A prática ocorre quando a oferta supera a capacidade de consumo, processamento ou escoamento da produção. 

Em outras palavras, enquanto consumidores enfrentam aumentos no preço do gás de cozinha, uma parcela do combustível produzido no estado retorna ao subsolo por limitações estruturais do mercado.

O contraste reforça a percepção de que a abundância de recursos energéticos nem sempre se traduz em vantagens econômicas diretas para a população local.

Debate permanece aberto

Especialistas do setor observam que o preço final do GLP é influenciado por diversos fatores, incluindo logística, tributação, custos de distribuição, regulação do mercado e políticas nacionais de preços dos combustíveis.

Ainda assim, o caso amazonense permanece como um dos exemplos mais emblemáticos do país. O estado produz gás natural em larga escala, possui infraestrutura própria de transporte, abastece mercados de outras regiões e continua convivendo com reajustes que pesam no orçamento doméstico.

A nova alta registrada em Manaus amplia um debate que se arrasta há décadas: qual é, afinal, o retorno concreto da riqueza energética do Amazonas para quem vive no estado?

Fonte de referência

G1 Amazonas — Preço do gás de cozinha em Manaus: 13 kg sobe e 8 kg cai, diz Procon.

Foto: Pedro Ventura/Agência Brasília