Amazonas tem maior índice de negros mortos pela polícia no país, aponta estudo
Coari, cidade localizada às margens do rio Solimões, aparece com a maior concentração de casos
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 01/07/2026 às 06:30 | Atualizado em: 01/07/2026 às 06:33
O Amazonas registrou a maior proporção de pessoas negras mortas em intervenções policiais entre os nove estados monitorados pela Rede de Observatórios da Segurança.
De acordo com o estudo “Pele Alvo: entre racismo e letalidade”, divulgado nesta quarta-feira (1º), cerca de 96% das vítimas dessas ocorrências no estado, em 2025, eram negras.
O índice representa um aumento de 6% em relação ao ano anterior e coloca o Amazonas na liderança do ranking nacional, seguido por Pernambuco e Bahia. Na outra ponta da lista aparece São Paulo, cuja proporção de vítimas negras é 31,4 pontos percentuais inferior à registrada no estado amazonense.
Segundo o levantamento, o Amazonas contabilizou 43 mortes decorrentes de intervenção policial em 2025, repetindo o mesmo número registrado em 2024. Ao longo dos sete anos de monitoramento realizados pela Rede de Observatórios da Segurança, o estado acumula 535 vítimas.
Além do perfil racial das vítimas, o estudo aponta uma mudança no padrão geográfico da violência policial. Pela primeira vez, os municípios do interior concentraram a maior parte das mortes, respondendo por 62,8% dos registros, enquanto Manaus representou 37,2% das ocorrências.
Os casos também passaram a atingir um número maior de cidades. Em 2025, as mortes foram registradas em 16 municípios, contra 10 no ano anterior, reforçando a tendência de expansão da letalidade policial para além da capital.
Entre os municípios, Coari, localizado às margens do rio Solimões e considerado uma das principais rotas do tráfico de drogas na Amazônia, concentrou 16,3% das mortes registradas no estado.
No relatório, os pesquisadores alertam para o avanço da violência policial em cidades de pequeno porte.
“Esses dados alertam para uma possível tendência de interiorização da violência policial, que extrapola os registros oficiais. A maior parte dos municípios afetados possui menos de 50 mil habitantes, em grande parte organizados em comunidades ribeirinhas, com poucos registros de homicídios”, destaca o estudo.
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Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
