COP-30: como Belém faz da feira do açaí uma atração cultural
Feira mantém sua força cultural e econômica enquanto comerciantes enfrentam oscilações provocadas pelo período da COP-30.
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 17/11/2025 às 15:28 | Atualizado em: 17/11/2025 às 15:28
A pulsação noturna da feira do açaí, em Belém, segue um ritmo próprio — quase uma coreografia espontânea. Cestos trançados passam de mão em mão, saltam dos barcos para o cais e logo aparecem equilibrados na cabeça de comerciantes que atravessam o pátio em passos firmes.
É esse balé cotidiano que transforma o entreposto às margens da Baía do Guajará em um dos cenários mais autênticos da capital paraense durante a COP-30. Como informa o g1.
Apesar do nome, ali não se vende açaí pronto. A estrela é a fruta in natura, recém-chegada das ilhas que circundam Belém.
Nesse sentido, todas as noites, dezenas de embarcações atracam abarrotadas de paneiros — os tradicionais cestos usados para transportar o fruto roxo que abastece mercados, batedores e restaurantes de toda a cidade.
Localizada ao lado do Mercado Ver-o-Peso, no coração histórico da Cidade Velha, a feira do açaí segue como um dos principais polos de distribuição do produto na Região Metropolitana.
O aroma característico, a correria dos carregadores e o vai-e-vem das pequenas embarcações compõem um retrato vivo da economia ribeirinha amazônica.
Durante a COP-30, o g1 percorreu o espaço para entender como o movimento tem sido afetado pela presença de turistas e delegações internacionais. A resposta, porém, surpreende. Para quem vive do dia a dia da fruta, o impacto não é tão direto.
Raul Pantoja, comerciante que mantém uma barraca no bairro do Jurunas, conta que a intensidade típica da feira diminuiu nas últimas semanas.
“As vendas estão mais fracas que o habitual com a COP-30. Como deram férias para os alunos, no Jurunas a COP não influencia muito. É como no mês de julho: as famílias viajam e a venda cai um pouco”, explica.
A avaliação de Raul revela um fenômeno recorrente: enquanto o centro histórico ganha mais holofotes e visitantes, comunidades periféricas seguem ritmos próprios, mais atrelados ao calendário escolar e aos hábitos de consumo locais do que aos grandes eventos.
Mesmo com oscilações no comércio, a feira continua chamando atenção de quem passa pela área do Ver-o-Peso — muitos deles encantados pelo fluxo intenso e pela cultura que pulsa na madrugada.
Por exemplo, no auge da conferência climática, o entreposto torna-se uma vitrine da tradição ribeirinha e da força econômica do açaí, símbolo maior da Amazônia urbana.
Senado assim, entre paneiros, barcos e carregadores que não perdem o compasso, a Feira do Açaí reafirma seu papel: mais que um ponto de abastecimento, é um patrimônio cultural vivo, capaz de transformar trabalho duro em espetáculo diário aos olhos de quem observa.
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Foto: Agência Pará/arquivo-Rodolfo Oliveira
