Milhares de indígenas marcham, em Brasília, na defesa das demarcações

A 22ª edição do Acampamento Terra Livre mobiliza mais de 200 povos na Esplanada para pressionar o governo por demarcações.

Iram Alfaia, do BNC Amazonas em Brasília

Publicado em: 07/04/2026 às 15:32 | Atualizado em: 07/04/2026 às 15:32

Sob o lema “Nosso futuro não está à venda: a resposta somos nós”, cerca de 7 mil indígenas de mais de 200 povos marcharam nesta terça-feira (7 de abril) pela Esplanada dos Ministério até o Congresso Nacional no ato da 22ª edição do Acampamento Terra Livre (ATL 2026).

O movimento pressiona por demarcações das terras indígenas e criticam o governo federal pela lentidão do processo, enquanto o Congresso avança com propostas que ameaçam direitos territoriais.

A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) recorda que “até o mês de março deste ano, cerca de 76 terras indígenas estão prontas para serem homologadas e aguardam apenas a assinatura do presidente Lula”.

“Outras 34 dependem do ministro da Justiça para a emissão da portaria de declaração”, diz a entidade.

A marcha, que ocupou uma das faixas do Eixo Monumental, foi acompanhada por um forte amparado policial. 

No ato, os indígenas levaram seis grandes faixas com os dizeres: “Congresso Inimigo Dos Povos”; “Nosso Território Não Está À Venda”; “O Futuro É Indígena”; “Marco Temporal É Golpe”; “Demarcação É Futuro” e Marco “Temporal Não”.

“É importante avançar nas demarcações não apenas para cumprir compromissos assumidos, mas para garantir a vida, a proteção e o Bem Viver dos povos que aguardam há anos a regularização de seus territórios. E, após a demarcação, é fundamental garantir a proteção: retirar invasores e assegurar o usufruto exclusivo das terras por cada povo”, afirma o coordenador da Apib, Kleber Karipuna.

Karipuna lembrou que a Apib apresentará ao governo um caderno de respostas às demandas do movimento indígena.

Amazônia

“Marchar é afirmar que seguimos organizados diante dos retrocessos e das ameaças aos nossos territórios”, disse o coordenador-geral da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), Toya Manchineri.

Segundo ele, mais uma vez, a Amazônia indígena se une para dizer que nossos direitos não serão negociados.

“São muitas as ameaças contra os povos indígenas, inclusive vindas do Congresso que deveria proteger a população, mas o movimento indígena segue forte e mobilizado contra esses desafios. Defendemos a demarcação de terras como garantia de direitos e proteção da vida, não só para os povos indígenas, mas de toda a humanidade”, afirma o coordenador da Coiab.

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Paralelo à marcha, lideranças indígenas participaram de uma sessão solene na Câmara dos Deputados em homenagem à 22ª edição do ATL 2026.

Fotos: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil