Indígenas muras, moradores das comunidades de São Félix e Cuia, interditaram a AM-254 (Manaus-Autazes), no quilômetro 90 (a estrada tem 93), desde a manhã desta quarta, dia 5, para denunciar que o Governo do Estado e a Fundação Nacional do Índio (Funai) não cumpriram acordos feitos com as duas localidades por ocasião da construção da estrada, em 1987.

O estado, segundo líder indígena (pediu para não ter o seu nome publicado), se comprometeu com a construção de uma escola e com o repasse de recursos, via Funai, para compensar o impacto ambiental e social sobre as terras da etnia no município.

O governo já teria repassado os recursos para a Funai, mas os indígenas dizem que até o momento não receberam “um tostão da indenização”.

De acordo com o líder dos muras, as comunidades precisam da escola, uma vez que as famílias que as habitam já são mais de 120.

“Nossas crianças e jovens precisam estudar na própria comunidade. Interditar a estrada é uma forma de chamar a atenção da sociedade para o descaso das autoridades com as comunidades indígenas”, afirmou.

Os índios disseram que manterão a interdição até que as autoridades se disponham a dialogar com eles. Enquanto isso não ocorrer, a estrada permanecerá fechada para veículos. Só os passageiros podem transpor a barreira.

 

Autazes

 

Atalho para o Madeira

A AM-254 interliga Manaus a Autazes, através da BR-319 (Manaus-Porto Velho), e serve como atalho entre a capital amazonense as cidades de Nova Olinda do Norte e Borba, localizadas no rio Madeira.

Uma viagem a bordo de um “motor de linha” entre Nova Olinda e Manaus pode demorar até 20 horas, enquanto que, pelo atalho, em torno de três horas.

A viagem pelo atalho é chamada de “pula-pula” porque é feita por rios e estradas, com lanchas e carros.

 

Fotos: Wilson Nogueira/cedidas em cortesia ao BNC Amazonas