Inmetro desenvolve método para combater comércio ilegal de madeira
Estudo feito no Laboratório de Análise Orgânica foi publicado na revista científica internacional ACS Omega
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 23/06/2026 às 14:30 | Atualizado em: 23/06/2026 às 14:30
Com parcerias de institutos de pesquisas da Amazônia, como o Inpa e o Museu Emílio Goeldi, do Pará, pesquisadores do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) desenvolveram um novo método que pode tornar mais rápida a identificação de espécies de madeira.
A nova tecnologia é capaz de apoiar ações de fiscalização e contribuir para o combate ao comércio ilegal de madeira, especialmente de espécies protegidas por lei.
A pesquisa foi realizada no Laboratório de Análise Orgânica (Labor), da Divisão de Metrologia Química e publicada na revista científica internacional ACS Omega.
O estudo apresenta uma abordagem baseada em espectrometria de massas para identificar espécies florestais a partir do perfil químico da madeira.
O Brasil possui cerca de 16 mil espécies de árvores, sendo algumas delas protegidas pela legislação ambiental, como o pau-brasil e o mogno. Após o corte, no entanto, a madeira perde características botânicas importantes, como folhas, flores e frutos, o que dificulta a identificação da espécie.
Espectometria de massas
Atualmente, uma das principais técnicas utilizadas é a análise macroscópica da madeira, que exige treinamento especializado e nem sempre permite uma identificação conclusiva.
Por isso, métodos instrumentais, como a quimiotipagem por espectrometria de massas, podem ser empregados em análises mais detalhadas.
O método desenvolvido pelo Inmetro usa uma pequena amostra da madeira para identificar seu perfil químico.
Em cerca de um minuto, o equipamento gera uma espécie de “impressão digital química” da amostra. Depois, esse resultado é comparado com um banco de dados já construído pelos pesquisadores.
Identificação das espécies
Segundo a pesquisadora Maíra Fasciotti, que coordenou o trabalho, a proposta é facilitar a identificação das espécies em situações ligadas à fiscalização.
“Em cerca de um minuto, é possível obter o perfil químico da amostra e comparar esse resultado com um banco de dados, permitindo a classificação da espécie analisada”, explica Maíra.
Uso em postos de controle
O equipamento usado na pesquisa é compacto e tem custo menor, custando cerca de 20% do valor do equipamento empregado atualmente por alguns países que utilizam a quimiotipagem de madeiras em ações de controle.
A técnica foi pensada para ser simples e rápida, com possibilidade de uso em postos de controle, como portos, aeroportos e laboratórios móveis.
Com isso, pode ajudar os órgãos de fiscalização a verificar se a madeira transportada corresponde às informações apresentadas nos documentos de origem florestal.
Parcerias na Amazônia
O estudo teve colaboração do Laboratório de Produtos Florestais do Serviço Florestal Brasileiro (LPF/SFB), do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), do Museu Paraense Emílio Goeldi e da empresa Waters Technologies do Brasil.
O trabalho também integra a tese de doutorado da pesquisadora Thays V. C. Monteiro, do Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia do Inmetro.
A pesquisa contou com apoio da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).
*Com informações do Inmetro
Foto: divulgação
