Após cinco anos sem enxergar, Raimundo de Almeida Gomes, de 78 anos, recuperou a visão e a independência em apenas 20 minutos de cirurgia de catarata. Ele foi um dos 100 beneficiados pelo Projeto Amazônico de Oftalmologia Humanitária, em Humaitá, no sul do Amazonas, primeiro município a receber as cirurgias oftalmológicas, que incluem as de pacientes com pterígio, a partir dos 40 anos. O projeto é parceria de diversas instituições.

“Desde os 12 anos eu trabalhava na roça, na comunidade do Puruzinho, e quando apareceu essa doença, há cinco anos, vim pra cidade e não tinha como continuar trabalhando. Agora que consigo enxergar novamente posso voltar a trabalhar, ver a minha esposa e acompanhar os meus dez filhos. Estou muito feliz”, afirmou.

Além de Humaitá, a equipe atenderá até o dia 21 os municípios de Manicoré, Novo Aripuanã, Borba e Nova Olinda do Norte, cidades amazonenses do rio Madeira.

 

A importância do navio da Marinha

Nessa comissão, a Marinha por meio do navio de assistência hospitalar Soares de Meirelles, além de realizar o atendimento básico de saúde, preparo nos exames e na distribuição de óculos para leitura, na triagem para as cirurgias e também no apoio logístico, levando os médicos para os municípios que serão atendidos.

“Esta é a terceira vez que estamos apoiando esse programa que é muito importante para a sociedade local, alcançando pessoas que têm a necessidade de intervenções cirúrgicas para voltar a enxergar”, disse o comandante do 9º Distrito Naval, vice-almirante Paulo César Lopes.

O navio Soares de Meirelles realizou 1.020 procedimentos de saúde, três raios-X e distribuiu 23 kits odontológicos e 744 óculos para leitura.

 

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Pesquisa de doenças tropicais

A intenção do projeto é diminuir o alto número de pessoas atingidas pelas doenças tropicais, como a catarata e pterígio, devido aos raios ultravioletas, de grande incidência na região amazônica, e que atacam, principalmente, os trabalhadores do campo.

Essa estatística foi um dos temas pesquisados pelo vice-reitor da Ufam e um dos apoiadores do projeto, o professor-doutor Jacob Moysés Cohen, no projeto Brazilian Amazon Region Eye Survey (Bares), que explica as causas de cegueira na região do baixo rio Amazonas.

 

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Doação de óculos por voluntários

Além da consulta, exames e tratamento, o projeto ainda doa os óculos aos pacientes, quando necessário. Para isso, é feita triagem em teste de acuidade visual, que ajuda a identificar o grau a ser utilizado.

Para ajudar os ribeirinhos analfabetos a identificar sua deficiência, a empresária Anna Jankov, após a edição do projeto de 2017, criou uma tabela com peixes da região, como tambaqui, jaraqui, tucunaré, pirarucu e outros.

“Muitas vezes as pessoas ficavam com vergonha de dizer que não sabiam ler. Comecei a pensar em algo que fosse da realidade deles. Por isso, utilizar os peixes da região como forma de detectar o grau a ser utilizado”, disse Anna, que é voluntária com o marido no projeto desde 2015.

O casal doa, por meio da empresa Lupas Leitor, a doação de 5 mil óculos para as comunidades atendidas nesta edição.

 

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Cooperação de especialistas

A ação conta também com vários profissionais e professores de destaque na área de oftalmologia, inclusive, com artigos e projetos publicados mostrando os avanços das cirurgias oftalmológicas.

O projeto, com apoio da Marinha do Brasil, é uma parceria entre a Universidade Federal do Amazonas (Ufam), a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), o Instituto Paulista de Estudos e Pesquisas em Oftalmologia (Ipepo), a Lupas Leitor, a Johnson & Johnson, a Fundação Piedade Cohen (Fundapi) e a Sociedade Amigos da Marinha de Manaus (Soamar-Manaus) e iniciou neste final de semana, nos dias 13 e 14 de abril.

Com informações da Assessoria de Comunicação Social/Comando do 9º Distrito Naval

 

Fotos: Assessoria de Comunicação Social/Comando do 9º Distrito Naval