País precisa de tecnologia para não desperdiçar terras raras, diz Hanan

Ex-vice-governador do Amazonas alerta que minérios não dão “duas safras” e defende industrialização nacional como saída estratégica.

Wilson Nogueira, da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 20/09/2025 às 11:22 | Atualizado em: 20/09/2025 às 11:24

O ex-vice-governador do Amazonas (1999-2003) e engenheiro industrial Samuel Hanan disse ao BNC Amazonas que o Brasil precisa preparar-se tecnologicamente para aproveitar o potencial de terras raras possui, porque “minérios não dão duas safras”.

Os minérios dessa categoria estão na pauta da concorrência entre Estados Unidos e China pelo domínio da economia mundial, a partir das tecnologias que darão suporte aos produtos dotados de inteligência artificial (IA).

“O Brasil tem muitas terras raras. Aqui, em Pitinga, tem uma jazida de ítrio de muitas tonelagens. O gargalo chama-se tecnologia. E hoje, como a matéria prima está rara, a tecnologia está vindo atrás. O Brasil não tem que deixar exportar minério sem ser manufaturado”.

Do final da década de 80 e meado da de 90, Hanan atuou como presidente executivo da mineradora Paranapanema, líder do conglomerado que iniciou a exploração das minas de cassiterita da bacia do rio Pitinga, no município de Presidente Figueiredo, a 300 quilômetros de Manaus (AM).

O ítrio é um dos 17 elementos que compõem as terras raras. Os demais são: lantânio, cério, praseodímio, neodímio, promécio, samário, európio, gadolínio, térbio, disprósio, hólmio, érbio, túlio, itérbio e lutécio.

Esses minerais são indispensáveis às tecnologias aeroespaciais, de defesa, energia, telecomunicações, eletrônica e transporte. Por isso, são disputados pelas nações que almejam manter-se entre as que se sobressaem pelo domínio das tecnologias contemporâneas.

Quem tem tecnologia?

Hanan disse que vários países detêm tecnologias para beneficiar terras raras, entre os quais China, Estados Unidos, Ucrânia e Rússia.

E o Brasil, por sua vez, tem jazidas raras em vários estados, entre os quais, Amazonas, Roraima, Mato Grosso e Minas Gerais.

Para Hanan, as terras raras são o petróleo do século 21.

“Não existe carro elétrico, não existe carro híbrido, não existe satélite e não existe inteligência artificial sem os minérios de terras raras”.

Com a crescente dependência das novas tecnologias às terras raras, o Brasil, segundo Hanan, pode aproveitar mais esse momento para alavancar a sua economia e torná-la cada vez mais autossustentada.

“Digo sempre, que o Brasil vive do legado de Deus, porque vive do solo e do subsolo. O agrobusiness com a sua pujança, a mineração e o petróleo compõem entre 43% a 44% do produto interno bruto (PIB) brasileiro”.

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Capital chinês

A mina do Pitinga é explorada, atualmente, pela companhia China Nonferrous Metal Mining Group, estatal chinesa, desde o ano passado, quando a adquiriu da mineradora peruana Taboca.

Lançamento

Hanan, que atualmente mora em São Paulo, está em Manaus para lançar mais um livro que aponta caminhos para o desenvolvimento sustentável da Amazônia.

Trata-se da obra “Amazônia brasileira” (Valer), lançada no dia 16 de setembro, no salão verde da Valer Teatro, no largo de São Sebastião, centro de Manaus.

“Nem o governo federal nem o governo estadual acordaram para a valorização ambiental, social e econômica da floresta amazônica”.*

Hanan defende que “a preservação da floresta é a preservação da vida”, por isso, é um problema mundial.

“É uma obrigação global, mas não a custo local. Não adiante preservar sem resgatar a dignidade de 18 milhões de pessoas que preservaram a floresta. A custo zero não dá”.

É equivocado, segundo Hanan, achar que a floresta é um problema ambiental, quando se trata de um problema econômico.

Conforme ele, as nuvens de chuvas formadas na Amazônia se precipitam, sobretudo, no Centro-Oeste e Sudeste, regiões produtoras animais de corte e grãos para os mercados interno e externo.

“Não existe agricultura sem água; não existe energia hídrica sem reservatório cheio. Então, somos responsáveis pelo suprimento de água e energia a custo zero para o agrobusiness e para a indústria”.

Fotos: Wilson Nogueira/ especial para o BNC Amazonas