Portos e hidrovias melhoram acesso à escola no Norte
O Governo Federal integra infraestrutura hidroviária e educação para assegurar o transporte escolar fluvial de milhares de estudantes no Norte.
Antônio Paulo, do BNC Amazonas em Brasília*
Publicado em: 28/01/2026 às 16:02 | Atualizado em: 28/01/2026 às 16:10
A articulação entre os ministérios de Portos e Aeroportos e da Educação (MEC) e o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) vem fortalecendo o uso das hidrovias como eixo para o transporte escolar fluvial.
Por conta disso, a rotina de milhares de estudantes da região Norte começa a mudar.
No Amazonas, por exemplo, onde grande parte dos municípios depende exclusivamente da navegação fluvial, o transporte escolar por rios é essencial para garantir o acesso diário de milhares de estudantes às escolas, especialmente em áreas isoladas.
Dessa forma, a iniciativa do governo federal integra políticas de infraestrutura e educação para assegurar que estudantes cheguem às salas de aula com segurança, regularidade e dignidade.
Segundo o ministro de Portos e Aeroportos, Sílvio Costa Filho, investir em hidrovias é ampliar a presença do Estado onde o acesso terrestre é limitado ou inexistente.
“Quando o governo investe em dragagem, sinalização e monitoramento, garante que serviços essenciais cheguem às populações ribeirinhas. O transporte escolar é um desses serviços e depende diretamente da navegação”.
Papel do transporte escolar
Em 2025, de acordo com o censo escolar, mais de 378 mil estudantes utilizaram o transporte fluvial para chegar à escola. Em 2024 eram cerca de 299 mil estudantes.
Segundo o MEC, em locais onde não há acesso por estradas, o transporte escolar fluvial é a principal alternativa para garantir o direito à educação básica.
Desse modo, o governo informa que, por meio do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), o MEC executa o Programa Nacional de Apoio ao Transporte do Escolar (Pnate), que atende
estudantes de municípios ribeirinhos em todo o país.
De acordo com a pasta, as embarcações utilizadas são definidas pelas prefeituras e pelas secretarias estaduais de educação, que adaptam o serviço às realidades locais.
“O transporte fluvial é essencial para assegurar que nenhum estudante seja deixado para trás em razão das condições geográficas. Em algumas localidades do Brasil, onde os rios são as únicas estradas possíveis, o transporte escolar fluvial é essencial para garantir que as crianças cheguem à escola. O governo do presidente Lula prioriza o direito à educação básica e está investindo no transporte escolar”, disse o ministro da Educação, Camilo Santana
Leia mais
Amazônia: quando o Estado falta à escola, o atraso vira regra
Monitoramento climático
Na avaliação do ministro Costa Filho, as atuações do ministério e do Dnit são fundamentais para dar suporte a essa política, ao garantir hidrovias mais seguras, navegáveis e regulares.
Dessa forma, a atuação dos órgãos envolve ações permanentes de manutenção e modernização das principais rotas hidroviárias do país. Entre as iniciativas estão o monitoramento climático, as dragagens planejadas, a recuperação de trechos críticos e a melhoria da sinalização náutica.
Ainda, segundo o ministro, essas medidas asseguram melhores condições de navegação ao longo do ano, inclusive durante períodos de seca ou cheia, reduzindo riscos e garantindo a continuidade do transporte fluvial.
Para o secretário nacional de hidrovias e navegação, Otto Luiz Burlier, essa regularidade é essencial para a execução de políticas públicas.
“Nosso objetivo é manter a navegação funcionando sem interrupções. Hidrovias bem estruturadas permitem que políticas públicas, como o transporte escolar, cheguem com segurança às comunidades que dependem do rio no dia a dia”.
Apoio logístico
Além do transporte dos estudantes, outras políticas educacionais também dependem da navegação.
A entrega de livros didáticos ocorre por meio das editoras contratadas, com apoio logístico dos Correios, que priorizam a região Norte devido às dificuldades de acesso.
A alimentação escolar também chega às comunidades ribeirinhas pelos rios, por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), executado de forma descentralizada com recursos do FNDE.
Alimento nas escolas
A logística fluvial garante ainda que os alimentos cheguem às escolas, contribuindo para a permanência dos alunos e para a qualidade do ensino.
Para o secretário Burlier, ao integrar infraestrutura hidroviária e políticas educacionais, o governo reforça o papel das hidrovias como instrumentos de inclusão social, desenvolvimento regional e garantia de direitos.
Leia mais
Prefeituras querem transporte fluvial no Amazonas no Caminho da Escola
“Mais do que rotas de transporte, os rios se consolidam como caminhos que conectam comunidades, reduzem desigualdades e asseguram a presença do Estado em regiões onde a navegação é a única forma de acesso”.
*Com informações dos ministérios.
Foto: Thomaz Silva/Agência Brasil
