Trabalhadores de Urucu, no Amazonas, entram na greve dos petroleiros

Categoria inicia greve nacional por tempo indeterminado cobrando a revisão do plano de salários da Petrobrás e a defesa da empresa pública, o que pode impactar a produção de gás.

Antônio Paulo, do BNC Amazonas em Brasília

Publicado em: 15/12/2025 às 18:06 | Atualizado em: 15/12/2025 às 18:07

Trabalhadores da Petrobrás iniciaram uma greve nacional por tempo indeterminado à zero hora desta segunda-feira (15 de dezembro), paralisando as atividades em diversas unidades do país.

O movimento, convocado pela Federação Única dos Petroleiros (FUP), começou forte, especialmente na Amazônia, após a categoria rejeitar a segunda contraproposta da estatal para o acordo coletivo de trabalho, considerada insuficiente diante do lucro bilionário da empresa.

Desse modo, a greve começou forte logo na madrugada de segunda-feira, com a entrega da operação das plataformas do Espírito Santo e do norte fluminense (Rio de Janeiro) a equipes de contingência.

A adesão também foi alta em diversas refinarias, onde os trabalhadores não realizaram o revezamento de turno, incluindo Regap (MG), Reduc (RJ), Replan (SP), Recap (SP), Revap (SP) e Repar (PR).

Terminal de Urucu

A região amazônica se destacou pela alta adesão logo nas primeiras horas do movimento. Na província de Urucu, em Coari, no Amazonas, principal polo de produção de gás e óleo da região, a paralisação começou na troca de turno da manhã, por volta das 6h30. A adesão no quadro operacional de Urucu é estimada em 70%, podendo ser até maior.

Em termos de adesão nacional, a expectativa é que no setor operacional o índice já tenha batido 80%. No geral, considerando que há cerca de 45 mil funcionários no Brasil, a adesão no primeiro dia é estimada em cerca de 70%.

Motivos da greve

“A Petrobrás ofereceu apenas 0,5% de aumento real, o que é considerado pífio frente a uma empresa que teve o lucro líquido de mais de 90 bilhões de reais somente até o terceiro trimestre. A Petrobrás é o sétimo maior produtor mundial de petróleo e bateu recordes operacionais, mas na hora de discutir o acordo coletivo, a categoria se depara com propostas tão baixas e que trazem ataques ao que já conquistamos”, esclareceu o diretor do Sindipetro Amazônia, Bruno Terribas.

A entidade, hoje com cerca de 1 mil filiados, abrange os estados do Amazonas, Amapá, Pará e Maranhão. Ao todo, a Petrobrás tem 45 mil empregados.

Impactos

A paralisação impacta a produção, embora a empresa tenha mobilizado equipes de contingência, chamados de fura-greves. Em Urucu (Amazonas), por exemplo, os grevistas apontaram dificuldades da gestão em manter unidades importantes, como as de gás natural, que abastece Manaus, e de processamento primário. O impacto pode atingir a produção de GLP (gás de cozinha) e gás natural.

A unidade de Urucu, que opera em regime de embarque 14 por 21 (similar às plataformas offshore – marítimas – mas no meio da floresta), já apresenta dificuldades operacionais.

“Para tentar manter as unidades em funcionamento, a Petrobrás embarcou suas equipes de contingência, que chamamos de fura-greves, formadas por supervisores e engenheiros. No entanto, esses profissionais não têm a expertise prática de campo para operar as unidades. Já sinalizamos dificuldade em manter a unidade de gás natural que abastece Manaus e, principalmente, a produção de GLP, o gás de cozinha”, disse Terribas ao BNC Amazonas.

Desse modo, os grevistas apontam que, com o desembarque de grande parte dos trabalhadores previsto para esta semana, em Urucu, a empresa enfrentará sérias dificuldades, especialmente porque os trabalhadores que deveriam embarcar na quarta-feira (17) já não o farão.

Pauta pela Amazônia Legal

Além das pautas nacionais que unem a categoria: solução para os planos de equacionamento de déficit da Petros, plano de cargos e salários, e a defesa da Petrobrás como empresa pública, os petroleiros da Amazônia trouxeram uma importante reivindicação regional.

O pleito do Sindipetro Amazônia é a extensão do adicional de permanência. Atualmente, esse adicional foi criado para incentivar trabalhadores a morarem na Amazônia e é pago apenas aos trabalhadores do Amazonas, onde se iniciaram as operações em Urucu.

A categoria reivindica que esse benefício seja estendido do Amazonas para toda a Amazônia Legal, visando contemplar a força de trabalho que será mobilizada na margem equatorial.

“Esta extensão é crucial porque as novas operações de exploração de petróleo na foz do rio Amazonas, nas imediações do Amapá, Pará e Maranhão, hoje não estão cobertas por este adicional. Trata-se de uma valorização da categoria frente a um cenário em que a Petrobrás distribui dividendos vultosos e bate recordes operacionais, sendo o sétimo maior produtor mundial de petróleo”, disse Terribas.

O que diz a Petrobrás

Em resposta às paralisações, a Petrobrás confirmou o registro de manifestações em suas unidades e garantiu ter adotado medidas de contingência para assegurar a continuidade das operações.

Leia mais

Petrobrás ganha licença ambiental de novo poço em Urucu, no Amazonas

A companhia afirmou que não há impacto na produção de petróleo e derivados e que o abastecimento do mercado está garantido. A Petrobrás reforçou que respeita o direito de manifestação dos empregados, mantém um diálogo permanente com as entidades sindicais e está empenhada em concluir a negociação do acordo coletivo.

Foto: divulgação