USP nega processar urânio da mina do Pitinga, no Amazonas
USP e Taboca reforçam foco em pesquisas com minerais não radioativos.
Iram Alfaia, do BNC Amazonas em Brasília
Publicado em: 03/09/2025 às 14:54 | Atualizado em: 03/09/2025 às 14:55
A Universidade de São Paulo (USP) disse que não processa urânio e nenhum material radioativo dos resíduos recebidos da mina do Pitinga no município de Presidente Figueiredo, no Amazonas.
Uma fonte ligada ao licenciamento ambiental no estado, que não quis se identificar, disse que a universidade recebia resíduos da mina, pertencente à mineradora Taboca, para processar urânio.
De acordo com a denúncia, todo esse processo é conhecido pela estatal chinesa China Nonferrous Trade que comprou a Taboca, empresa privada que pertencia ao grupo peruano Mimsur.
O material estaria sendo enviado como estanho, sem licença ambiental, pela mineradora para Pirapora do Bom Jesus (SP) onde é armazenado antes de seguir para o Laboratório de Reciclagem, Tratamento de Resíduos e Extração (Larex) da USP.
“O Laboratório de Reciclagem, Tratamento de Resíduos e Extração (Larex) da Universidade de São Paulo esclarece que desenvolve projetos de pesquisa em parceria com a mineradora Taboca e que não trabalha com materiais radioativos”, diz a USP ao BNC Amazonas.
De acordo com a universidade, o centro de pesquisa não possui habilitação para isso, mesmo em escala de pesquisa, e ressalta que “absolutamente não processa urânio nem nenhum material radioativo”.
“Os projetos desenvolvidos são públicos e tratam de estanho, nióbio, tântalo e terras raras, o que não exige licença ambiental para pesquisa com resíduos. Por fim, os responsáveis pelo laboratório ressaltam que atuam no desenvolvimento de pesquisa científica e formação de recursos humanos”, diz a instituição.
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Taboca
Em nota enviada à redação, a mineração Taboca repudia veementemente a informação infundada veiculada sobre envio de material à USP para suposto processamento de urânio.
“A empresa não vende ou transfere urânio, uma vez que, de acordo com a lei brasileira, trata-se de recurso de uso exclusivo da República Federativa do Brasil, que não pode ser usado ou explorado para qualquer finalidade por terceiros”, diz a empresa.
A companhia esclarece que possui as concessões de lavra e respectivas licenças ambientais para explorar minério de tantalita-columbita e cassiterita, ligadas à produção de estanho e ligas ferrosas compostas por tântalo e nióbio, cumprindo rigorosamente todas as normas estabelecidas pela Agência Nacional de Mineração (ANM) e Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN).
A Taboca afirma que a parceria com a USP trata exclusivamente de projeto inovador, co-financiado pela Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrappi), duas instituições internacionalmente renomadas.
A mineradora diz que o objetivo é desenvolver novos produtos e processos, com foco na produção de ferro nióbio e ferro tântalo em uma concentração maior para melhor aproveitamento e menor nível de impurezas.
“A iniciativa cumpriu todos os trâmites estabelecidos por lei e conta com a autorização dos órgãos responsáveis”, diz a companhia.
Foto: divulgação/Mineração Taboca S.A
