O futuro de um país depende da força silenciosa que protege suas instituições
Artigo analisa o papel da segurança institucional como pilar da estabilidade democrática, do desenvolvimento econômico e da governabilidade.
Por Fabiano Bó*
Publicado em: 13/12/2025 às 16:26 | Atualizado em: 13/12/2025 às 16:28
A segurança institucional, numa época em que descontinuidades políticas e rupturas de governabilidade causam efeitos duradouros sobre a vida das nações, deve ser compreendida como um dos pilares fundamentais da estabilidade democrática e da prosperidade. Essa visão ganhou ressonância no início deste mês, em Brasília, quando o Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, atualmente chefiado pelo general de Exército Marcos Amaro dos Santos, celebrou seus 87 anos de existência em uma cerimônia que resgatou a importância histórica da instituição criada em 1938 e que culminou na outorga da Medalha da Segurança Presidencial àqueles civis e militares que se destacaram na proteção do Estado.
O momento, mais do que um rito, reafirmou o papel decisivo que a segurança institucional exerce como eixo de continuidade nacional, sobretudo num contexto global em que o impacto econômico da violência ultrapassa US$ 19 trilhões por ano, representando mais de 11% do PIB mundial, quando considerados custos diretos e indiretos associados à instabilidade política e à insegurança.
Ao longo de sua trajetória, desde o antigo Gabinete Militar até a estrutura atual, o GSI consolidou-se como órgão de Estado responsável não apenas pela proteção física do presidente da República, mas pela gestão estratégica de riscos que podem repercutir na governabilidade. O próprio órgão, por meio de sua coordenação executiva hoje conduzida pelo general de Divisão Washington Triani, que já atuou no Amazonas como chefe do Estado-Maior do Comando Militar da Amazônia, mantém reconhecida vinculação institucional com o estado, enfatiza que segurança institucional não é um mecanismo pessoal, e sim um componente de estabilidade capaz de influenciar a economia, a condução das políticas públicas e a confiança internacional no país.
Essa percepção encontra respaldo em números divulgados pelo Banco Mundial, que aponta que países afetados por instabilidade político-institucional podem registrar taxas de pobreza até quatro vezes maiores do que países que preservam a estabilidade, com projeções indicando que mais de 420 milhões de pessoas no mundo vivem em condições de extrema vulnerabilidade em regiões marcadas por conflitos ou fragilidade institucional. Essas realidades ajudam a compreender por que democracias consolidadas tratam a proteção de estadistas e instituições como uma política estratégica de Estado.
Essa perspectiva internacional dialoga diretamente com a experiência brasileira. Ao completar mais de oito décadas, o GSI reafirma sua evolução histórica como órgão que acompanha o presidente da República e vice-presidente em todas as dimensões estratégicas, desde a segurança presencial até a proteção de informações sensíveis e a prevenção de crises complexas. Seu papel tornou-se ainda mais nítido com a modernização recente de protocolos, ampliação de capacidades tecnológicas e fortalecimento de estruturas de inteligência que protegem não apenas o governante, mas a própria arquitetura democrática.
A estabilidade institucional que emerge desse trabalho é silenciosa por natureza, mas produz efeitos concretos na vida nacional. Estudos mostram que países que mantêm estabilidade político-institucional atraem até 30% mais investimentos estrangeiros diretos, segundo análises de organismos multilaterais, reforçando como previsibilidade e segurança são elementos indispensáveis para o desenvolvimento.
No Amazonas, esse princípio ganha uma dimensão particular. O estado, pela sua posição estratégica, extensão territorial e diversidade geopolítica, depende de estruturas de segurança institucional sólidas para garantir governabilidade e coordenação entre as forças de segurança, órgãos de inteligência e políticas de proteção civil. A manutenção de um ambiente estável, que permite a continuidade de políticas públicas e a atração de investimentos, depende de condições que mitiguem riscos estruturais, bem como a prevenção de crimes organizados, garantindo a governança eficaz.
Em um território que concentra riquezas naturais, complexidades sociais e desafios de fronteira, proteger autoridades, instituições e fluxos decisórios significa proteger o potencial estratégico de uma região fundamental para o Brasil, especialmente quando se observa que áreas com fragilidades institucionais enfrentam retrações econômicas que podem ultrapassar 3% do PIB local por ano, segundo estudos latino-americanos sobre o custo da insegurança.
Ao refletirmos sobre o significado dos 87 anos do Gabinete de Segurança Institucional, torna-se evidente que a segurança institucional é mais do que uma política pública: é uma salvaguarda do futuro. Em um mundo em que crises se propagam com velocidade e em que a confiança social se torna um ativo valioso, garantir a estabilidade das instituições é assegurar que o país possa avançar, dialogar, firmar acordos e construir prosperidade com solidez.
Proteger um estadista não é um ato administrativo, é um gesto de preservação da ordem democrática e da capacidade de uma nação de seguir adiante. É essa compreensão que inspira o trabalho diário daqueles que atuam na defesa institucional do Brasil e que reforça, a cada nova celebração, a convicção de que estabilidade e segurança são fundamentos indispensáveis para qualquer projeto de país que ambicione longevidade histórica e grandeza.
*O autor é Coronel da Polícia Militar, especialista em Política e Estratégia (ADESG) e secretário de Estado Chefe da Casa Militar do Amazonas.
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