Alberto Neto pede anistia em ato esvaziado de bolsonaristas em Brasília

O deputado disse que só interessa ao movimento a anistia ampla e irrestrita.

Alberto Neto pede anistia em ato esvaziado de bolsonaristas em Brasília

Iram Alfaia, do BNC Amazonas em Brasília

Publicado em: 08/10/2025 às 07:22 | Atualizado em: 08/10/2025 às 07:33

Pré-candidato ao Senado no Amazonas, o deputado federal Alberto Neto (PL) defendeu nesta terça-feira (7 de outubro) a anistia ampla e irrestrita para os condenados pela tentativa de golpe de Estado, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que se encontra em prisão domiciliar.

A “Caminhada pela Anistia” na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, foi considerada um evento flopado em comparação com outras manifestações na capital.

“Nós sabemos que é uma terça-feira. A gente não teve a intenção de trazer milhares de pessoas. Nós quisemos mandar uma mensagem através dos olhos do brasiliense”, justifica o locutor da manifestação.

Além do líder religioso Silas Malafaia, que convocou o protesto, estiveram presentes o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

O deputado amazonense disse que só interessa ao movimento a anistia ampla, uma ideia que já foi abandonada pelo relator do chamado projeto da dosimetria, o deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP).

A matéria é uma alternativa à anistia como quer a bancada bolsonarista. Com a dosimetria, o deputado do Solidariedade quer reduzir as penas dos condenados pela tentativa de golpe de Estado.

“Esse projeto da dosimetria não atende a gente. Não pacifica o país. Só lembrar que a história mostra que a anistia foi necessária para a pacificação do pessoal que está no poder hoje”, disse Neto ao chegar à manifestação.

De acordo com ele, é preciso o presidente Lula da Silva e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) tirarem o “ódio do coração”.

“O Alexandre de Moraes [ministro do STF] cometeu vários atos abusivos, rompeu nossa democracia e o devido processo legal. Prendeu pessoas que não participaram da quebradeira do 8 de Janeiro, pessoas inocentes”, disse o deputado.

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Estados Unidos

No ato, vários elementos faziam referência aos Estados Unidos como camisetas da Lei Magnitsky e bandeiras com imagens de Jair Bolsonaro e Donald Trump.

O movimento bolsonarista já foi bastante criticado pela uma bandeira gigante dos Estados Unidos aberta na manifestação da Avenida Paulista.

“Em ato esvaziado pela ‘anistia dos golpistas’, bolsonaristas pedem ‘Trump presidente em 2028’. É o patriotismo deles: negar a história, ignorar a democracia e se curvar ao estrangeiro”, disse a deputada Erika Kokay (PT-DF).

Tudo ou nada

De acordo com o G1, os defensores do projeto da dosimetria das penas de condenados estão aconselhando os aliados do ex-presidente a apoiarem a proposta.

“Se o PL insistir numa anistia ou numa redução expressiva da pena do ex-presidente da República, o projeto corre o risco de travar totalmente. O partido de Bolsonaro está apostando no tudo ou nada e pode ficar com nada”.

“Ele [Paulinho] falou abertamente que tem redução de penas para Jair Bolsonaro. Eu tive acesso ao texto: golpe de Estado cairia para dois a seis anos, menos que um roubo de celular. É uma interferência brutal do Legislativo em um julgamento em curso”, afirmou o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ).

Foto: reprodução