Após subestimar Wilson Lima, direita sente dor de cotovelo

Distanciamento e ataques a Wilson Lima revelam que lideranças conservadoras subestimaram o peso da máquina estadual no pleito.

Após subestimar Wilson Lima, direita sente dor de cotovelo

Neuton Corrêa, da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 17/04/2026 às 07:45 | Atualizado em: 17/04/2026 às 07:45

A estratégia adotada por setores da direita no Amazonas nas eleições de 2026 começa a expor sinais de desalinhamento interno e possível erro de cálculo político.

O movimento de distanciamento, e agora de ataque, ao ex-governador Wilson Lima ocorre em meio a sinais de que lideranças nacionais do campo conservador subestimaram o peso da máquina estadual no pleito deste ano.

Um dos principais elementos que revelam essa leitura está nas anotações do senador Flávio Bolsonaro. Os rascunhos foram flagradas durante reunião na sede do PL, em Brasília, no dia 24 de fevereiro.

O conteúdo aponta que, na avaliação do grupo, uma eventual aliança com Wilson Lima levaria à derrota eleitoral. Essa premissa centuou o afastamento do ex-governador do núcleo bolsonarista no estado.

A avaliação, no entanto, desconsiderou um fator historicamente decisivo em disputas no Amazonas: o peso da estrutura governamental e sua capacidade de influenciar alianças, capilaridade política e mobilização eleitoral.

Ofensiva coordenada

O distanciamento evoluiu para confronto aberto. A pré-candidata do PL ao governo, Maria do Carmo, intensificou críticas à gestão de Wilson Lima. Por sua vez, o vereador Sargento Salazar, pré-candidato a deputado federal, condicionou sua permanência no partido a uma linha política distante do ex-governador.

Realidade

Agora, uma campanha nas redes sociais passou a atacar o partido de Wilson Lima, o União Brasil. Os perfis conservadores passaram a acusar Wilson e seu grupo de aproximação com o senador Omar Aziz e, por consequência, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Eles passaram a expor esse cenário à esquerda depois que Serafim Corrêa, do PSB, teve candidatura confirmada a vice na chapa de governador-tampão de Roberto Cidade (União), aliado de primeira ordem do ex-governador. O PSB é da base de sustentação de Lula.

Contradições no próprio campo

Apesar das críticas, há inconsistências na narrativa. A principal evidência é a movimentação em torno de Roberto Cidade, que deve receber apoio eleitoral tanto de partidos associados ao governo federal, como PT e PSD de Omar Aziz, quanto de setores do próprio PL nas eleições marcadas para 4 de maio.

O cenário revela que, enquanto o discurso público aponta para uma polarização rígida, a prática política segue marcada por arranjos pragmáticos. Nesse caso, incluem-se votos cruzados entre campos adversários.

Memória

Após a divulgação das anotações de Flávio Bolsonaro, Wilson Lima sinalizou mudança de estratégia ao indicar que não disputaria mais o Senado. Nos bastidores, a leitura é de que o ex-governador reconheceu a perda de apoio do grupo político que o sustentou nas eleições de 2018 e 2022.

Agora, o mesmo campo que o considerou sem viabilidade eleitoral passa a atacá-lo diretamente. Assim sendo, tentam reposicionar narrativas e consolidar novas lideranças.

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Foto: reprodução