Iram Alfaia, de Brasília

 

O governo do presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), deverá evitar o confronto com a Alemanha e a Noruega sobre o modo de gestão do Fundo Amazônia.

O objetivo é evitar que os dois países, principais doadores do programa, deixem de incentivar os projetos com os aportes de recursos que já chegam a R$ 3 bilhões.

Segundo matéria publicada nesta quinta-feira, dia 11, no jornal Folha de S.Paulo, o governo tenta “evitar a extinção do mecanismo ao mesmo tempo que poupa a imagem do ministro Ricardo Salles”.

Numa briga aberta contra as organizações não governamentais (ongs), o ministro gerou conflito com os doadores ao exigir mudanças na gestão do fundo.

A Noruega, que é responsável por 93,8% das doações, não enviou representante para a última reunião convocada por Salles.

Para evitar rumores sobre uma demissão do ministro, Bolsonaro visitou na última terça-feira, dia 9, o ministro no seu gabinete quando ele recebia o governador Wilson Lima (PSC).

O governador amazonense foi a Brasília defender a permanência do Fundo, que, no estado, financia vários projetos, entre os quais a construção da nova sede da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema).

A obra está orçada em oito milhões de euros (R$ 34 milhões).

“A visita do presidente da República foi interpretada por interlocutores do governo como uma tentativa de afastar boatos sobre possível demissão do ministro, em meio a um clima de críticas internacionais sobre as políticas ambientais do governo e de incerteza sobre a continuidade do Fundo Amazônia”, diz um trecho da matéria da Folha.

Tanto a Alemanha quanto a Noruega não enxergam problemas na gestão do programa feita por um comitê tripartite formado pelos governos federal, estadual e representantes da sociedade.

O tribunal de Contas da União (TCU), por exemplo, fez auditoria nesse modelo e não viu problemas.

 

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Repercussão política

A preocupação do governo é que o tom crítico sobre a postura do ministro e do governo aumente ainda mais sem uma solução para o caso. Por isso, pretende recuar na posição e preservar o ministro.

No Congresso, as polêmicas em torno do imbróglio estão crescendo.

O senador Marcio Bittar (MDB-AC) elogiou o governo Bolsonaro “por exigir prestação de contas dos projetos financiados com dinheiro do Fundo Amazônia”.

Por outro lado, o senador Paulo Paim (PT-RS) é crítico da posição do governo e vê no Fundo o melhor caminho para o desenvolvimento sustentável da região.

Na Câmara, dois nomes fortes da Oposição levantaram a voz contra o governo. O deputado Marcelo Freixo (PSOL-RJ) diz que os dois maiores doadores do Fundo Amazônia já estão com o pé atrás.

“A Noruega afirmou que encerrar a parceria é um desfecho possível, e a Alemanha reteve mais de R$ 150 mi na última semana. É assim que o governo quer combater o desmatamento na Amazônia?”, criticou Freixo.

“O governo que já considerou extinguir o Ministério do Meio Ambiente, agora o destrói por dentro. As políticas ambientais de Jair Bolsonaro e Ricardo Salles são desprezíveis. Eles querem acabar com o Fundo Amazônia! Não vamos aceitar”, afirmou o líder da oposição na Câmara, deputado Alessandro Molon (PSB-RJ).

 

Foto: Marcos Corrêa/Presidência da República