Bolsonaro enfia Negão goela abaixo para senador de Roraima
Sem saber sequer onde fica a praça do Garimpeiro, "papagaio de pirata" favorito de Bolsonaro se muda do Rio para Boa Vista
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 24/03/2026 às 22:04 | Atualizado em: 25/03/2026 às 05:07
A possível candidatura do deputado federal Hélio Lopes, conhecido como Negão, ao Senado por Roraima abriu uma nova frente de desgaste dentro do PL e reacendeu críticas sobre o uso do estado como atalho eleitoral por figuras ligadas ao bolsonarismo.
Aliado direto de Bolsonaro, Negão transferiu seu domicílio eleitoral para Roraima mesmo sem histórico político, social ou econômico no estado.
A movimentação é vista como tentativa de garantir viabilidade eleitoral fora do Rio de Janeiro, onde enfrenta desgaste e risco de não reeleição.
Estratégia imposta de fora
A articulação ocorre sem diálogo consistente com lideranças locais e é interpretada como imposição de cima para baixo dentro do partido.
Nos bastidores em Boa Vista, a avaliação é de que Bolsonaro tenta manter influência no Senado por meio de nomes de sua confiança, ainda que isso signifique atropelar preferências regionais.
A escolha também evidencia uma leitura pragmática do eleitorado roraimense, tratado como base consolidada do bolsonarismo e, portanto, mais suscetível a candidaturas importadas.
Roraima como rota eleitoral
O episódio não é isolado. Antes, o ex-candidato à Presidência Padre Kelmon já havia ensaiado movimento semelhante ao intensificar presença em Roraima com vistas a uma candidatura futura.
A prática reforça um padrão recorrente na política nacional: a transferência estratégica de domicílio eleitoral como mecanismo de sobrevivência política.
Estados menores, com eleitorado reduzido, tornam-se alvos preferenciais desse tipo de operação.
Crise interna e reação local
A movimentação de Hélio Negão gerou desconforto dentro do próprio PL em Roraima.
Lideranças locais veem a iniciativa como desrespeito ao protagonismo regional e à construção política interna.
Além disso, a candidatura enfrenta resistência de setores do eleitorado, que questionam a legitimidade de um nome sem raízes no estado disputar uma das vagas mais relevantes da representação política local.
Oportunismo como método
Analistas apontam que o caso escancara uma lógica antiga da política brasileira: o uso de territórios periféricos como colônias eleitorais.
A estratégia ignora identidade, demandas locais e vínculos sociais, priorizando apenas cálculos de viabilidade eleitoral.
A crítica central é que, ao tratar Roraima como terreno disponível para experimentos políticos, lideranças nacionais reproduzem práticas que enfraquecem a representatividade e distanciam ainda mais o eleitor das decisões de poder.
Foto: Alan Santos/Presidência da República.
