Governo Lula vai liberar, em breve, licença para asfaltamento da BR-319
Governo Lula articula liberação da licença da BR-319 após acordo político com o Senado.
Iram Alfaia, do BNC Amazonas em Brasília
Publicado em: 20/10/2025 às 17:45 | Atualizado em: 20/10/2025 às 18:17
Depois do licenciamento para perfuração do bloco FZA-M-59, a fim de explorar petróleo na Foz do Amazonas, a próxima obra a ganhar autorização do Ibama, em breve, será o asfaltamento do trecho do meio da BR-319 (entre os km 177,8 e 655,7), que vai garantir a trafegabilidade por toda a extensão da rodovia.
Nos bastidores, dizem que o governo Lula negociou com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), a liberação da exploração na Foz do Amazonas e, em breve, sairá o licenciamento da BR-319. O senador Omar Aziz (PSD) teria participado do acordo.
Com isso, o governo evitou a votação dos 63 vetos presidenciais do chamado PL da Devastação, um deles diretamente ligado a BR-319.
O deputado Pauderney Avelino (União Brasil) disse que a obra ganhou viabilidade com o decreto (nº 12.673) assinado pelo presidente Lula da Silva, na última quarta-feira (15 de outubro).
O decreto presidencial abre caminho para a Licença Ambiental Especial (LAE), ou seja, empreendimentos estratégicos deverão ser licenciados em um prazo máximo de um ano. A medida saiu após o Congresso ameaçar derrubar os vetos.
Desse modo, Pauderney não vê mais obstáculos para o licenciamento da rodovia que liga Manaus a Porto Velho (RO). “É só verificar o decreto”, diz.
Decreto
Com a medida, o governo dispôs sobre o funcionamento do Conselho de Governo e cria, em seu âmbito, a Câmara de Atividades e Empreendimentos Estratégicos.
“A Câmara terá a missão de propor ao presidente a definição de obras e atividades consideradas estratégicas para o país, especialmente aquelas que poderão ser submetidas ao licenciamento ambiental especial, instituído pela Lei nº 15.190, de 8 de agosto de 2025”, diz nota do Planalto.
A Câmara será coordenada pela Casa Civil da Presidência da República e integrada por onze ministérios, entre eles os do Meio Ambiente e Mudança do Clima; Minas e Energia; Transportes; Integração e Desenvolvimento Regional; Povos Indígenas; Cultura; e Saúde.
O grupo também contará com a Advocacia-Geral da União e o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar e o Ministério de Portos e Aeroportos.
De acordo com o governo, a Câmara deverá priorizar projetos vinculados ao Novo PAC e poderá recomendar medidas aos órgãos envolvidos para garantir a estrutura técnica necessária ao andamento das obras estratégicas.
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“O novo órgão também poderá criar até cinco subcolegiados simultaneamente, dedicados a temas específicos. As deliberações sobre empreendimentos que interfiram em terras indígenas, territórios tradicionais ou no patrimônio histórico e cultural dependerão de consulta prévia aos órgãos e às entidades competentes”, diz o Planalto.
Foto: Dnit
