Bravata de Trump contra Irã era só isso mesmo, uma nova bufa

Ameaça de "fim do mundo" para os iranianos termina em acordo de cessar-fogo

Aguinaldo Rodrigues, especial para o BNC Amazonas

Publicado em: 07/04/2026 às 20:19 | Atualizado em: 07/04/2026 às 20:19

Donald Trump passou os últimos dias vendendo ao mundo a imagem de um presidente disposto a levar o confronto com o Irã ao limite. Falou em destruição total, o “fim do mundo” para os iranianos, elevou o tom sobre o estreito de Ormuz, ameaçou ampliar ataques e tentou se colocar como o homem que decidiria, sozinho, os rumos do Oriente Médio. 

Contudo, o desfecho desta terça-feira (7 de abril) mostrou algo bem diferente: a guerra total que ele insinuava terminou, ao menos por ora, em acordo, cessar-fogo e mesa de negociação.

A leitura política é dura, mas bastante plausível: Trump blefou, posou de bufão.

Ou, no mínimo, encenou uma escalada máxima para colher um resultado que agora vai tentar vender como demonstração de força. 

O Irã confirmou entendimento com os Estados Unidos e sinalizou reabrir o estreito de Ormuz, ponto vital para o comércio global de petróleo. Trata-se justamente do centro da pressão montada pela Casa Branca nos últimos dias, que espalhou prejuízos às economias de muitos países, incluindo o Brasil, onde a máfia dos combustíveis se aproveitou para encher os bolsos.

O problema é que esse tipo de “jogo de cena” não é gratuito. Ainda que a crise caminhe para uma trégua, ela já produziu efeitos concretos: elevou a tensão militar, abalou mercados, pressionou o petróleo e colocou o mundo sob o risco de uma nova explosão regional. 

Na véspera do recuo, o mercado internacional de energia já operava sob forte nervosismo diante da possibilidade de fechamento prolongado de Ormuz e de novos ataques americanos.

Da bravata ao recuo

O roteiro montado por Trump foi típico de sua política externa: primeiro, a ameaça máxima; depois, o ultimato; por fim, a tentativa de transformar recuo em troféu. 

Nas últimas horas, ele chegou a falar em ampliar ataques contra infraestrutura iraniana, incluindo ativos civis, num discurso de força e de crime de guerra que serviu mais para produzir pânico e pressão do que para sustentar uma ofensiva prolongada. 

Pouco depois, aceitou suspender bombardeios por duas semanas, condicionando a trégua à reabertura de Ormuz e ao avanço das conversas.

Esse movimento expõe uma contradição central do trumpismo: a retórica é de aniquilação, mas a prática busca o palco da barganha.

É o manjado estilo Trump costuma elevar a temperatura até o limite para parecer imprevisível, pressionar adversários e vender à sua base a imagem de líder “forte”. 

Quando o custo militar, diplomático ou econômico cresce demais, recua tentando apresentar a própria contenção como prova de genialidade estratégica.

Vide o caso do tarifaço contra o Brasil, que teve pronta resposta do governo Lula. O resultado foi o recuo.

Há também de se ressaltar a proibição que a suprema corte dos Estados Unidos impôs ao imperialista, de baixar tarifação contra nações. 

Em outras palavras: mais do que vencer uma guerra, Trump parece querer faturar politicamente em cima da ameaça de fazê-la.

Força ou encenação?

É claro que o cessar-fogo não torna a crise uma farsa. Houve mortos, deslocamentos, destruição e instabilidade real. 

O Irã segue impondo condições para uma paz duradoura, e o cessar-fogo anunciado ainda é frágil, cercado de desconfiança e sob risco de ruptura. 

Todavía, o desfecho reforça uma percepção inevitável: o discurso de guerra total serviu mais como instrumento de coerção e espetáculo do que como estratégia sustentável de confronto.

Ao fim, Trump tenta sair da crise como vencedor. Porém, a imagem que fica é a de um ditador que mais uma vez apostou na valentia cenográfica.

⁠Trump não derrotou o Irã no campo da guerra; tentou transformar o próprio recuo em troféu de força.

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Foto: gerada por IA