Caiado cresce e dono do PL admite fragilidade de Flávio Bolsonaro

Costa Neto reconheceu publicamente que o filho de Bolsonaro ainda não está preparado para disputar o Planalto

Aguinaldo Rodrigues, especial para o BNC Amazonas

Publicado em: 21/07/2026 às 20:09 | Atualizado em: 21/07/2026 às 20:10

Nova série do BNC Amazonas acompanhará, semana a semana, os fatos que podem mudar os rumos da sucessão presidencial.


A pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República sofreu nesta terça-feira (21 de julho) mais um duro revés político.

No mesmo dia em que pesquisa Real Time Big Data mostrou o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (União Brasil) à frente de Flávio Bolsonaro em um dos cenários de segundo turno para outubro, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, reconheceu publicamente que o filho de Bolsonaro ainda não está preparado para disputar o Palácio do Planalto.

A declaração, feita durante entrevista ao canal do jornalista Cláudio Dantas, ganhou peso por partir justamente do principal articulador da candidatura do PL.

Em vez de reforçar a imagem de um nome consolidado, Costa Neto admitiu que Flávio ainda precisa amadurecer politicamente antes de enfrentar uma eleição presidencial.

O comentário contrasta com a estratégia adotada pelo partido desde que o pai Bolsonaro ficou impedido de disputar a Presidência, apresentando Flávio como principal herdeiro do capital eleitoral do bolsonarismo.

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Pesquisa amplia pressão

A divulgação da pesquisa Real Time Big Data reforçou o momento delicado da pré-campanha.

Em um dos cenários testados para a eleição presidencial de 2026, Ronaldo Caiado aparece à frente de Flávio Bolsonaro, sinalizando que a disputa pela liderança do campo conservador continua aberta e distante de um consenso.

O resultado aumenta a pressão sobre o PL, que trabalha para consolidar o nome de Flávio enquanto outras lideranças da direita buscam ocupar espaço entre eleitores conservadores e de centro-direita.

Desgaste se acumula

A fala de Valdemar soma-se a uma sequência de episódios que vêm dificultando a consolidação da candidatura de Flávio Bolsonaro.

Nas últimas semanas, pesquisas já haviam apontado perda de apoio inclusive entre eleitores da direita não bolsonarista.

O PL ainda enfrenta dificuldades para fechar alianças mais amplas com partidos do centrão, como os federados PP de Ciro Nogueira e o União Brasil, continua sem definir um nome para a vice-presidência e busca construir palanques competitivos nos estados.

Ao mesmo tempo, Michelle Bolsonaro mantém protagonismo político dentro do campo conservador, enquanto novos desdobramentos de investigações envolvendo o entorno do bolsonarismo permanecem no radar da sucessão presidencial.

Nenhum desses fatores, isoladamente, define o rumo da eleição. Em conjunto, porém, eles ajudam a explicar por que a direita ainda busca consolidar um nome capaz de unificar seu eleitorado.

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Direita ainda procura um consenso

Enquanto o PL intensifica as negociações para fortalecer Flávio Bolsonaro, nomes como Caiado seguem ampliando espaço no debate nacional.

O cenário mostra que a sucessão presidencial permanece aberta e que a definição da principal candidatura do campo conservador dependerá não apenas das pesquisas, mas também da capacidade de formar alianças, reduzir rejeições e reunir apoio político suficiente para enfrentar a disputa de 2026.

O radar BNC Amazonas aponta

  • Quem sobe

Ronaldo Caiado, que ganha fôlego ao aparecer à frente de Flávio Bolsonaro em cenário da pesquisa Real Time Big Data.

  • Quem desce

Flávio Bolsonaro, que enfrenta desgaste simultâneo provocado por pesquisa desfavorável e pela avaliação pública de Valdemar Costa Neto de que ainda não estaria preparado para disputar a Presidência.

  • No radar

As negociações do PL com o centrão, o candidato a vice, o papel político de Michelle, novas pesquisas eleitorais e desdobramentos judiciais com bolsonaristas.

  • Próximo movimento

A reação das lideranças da direita às pesquisas e às articulações para formação de alianças poderá indicar se o PL conseguirá consolidar Flávio Bolsonaro. Ou se outros nomes passarão a ocupar espaço crescente na sucessão presidencial.

Nasce o Radar 2026

A corrida presidencial começa muito antes do registro oficial das candidaturas. Ela é construída por pesquisas, decisões judiciais, alianças, rupturas, movimentos do Congresso, articulações partidárias e fatos que, isoladamente, parecem pequenos, mas, somados, podem mudar completamente o cenário político.
A partir de hoje, o BNC Amazonas passa a acompanhar esse processo por meio da série especial Radar 2026, que analisará, de forma permanente, os acontecimentos capazes de influenciar a sucessão presidencial.
Mais do que noticiar declarações, a proposta é mostrar ao leitor como cada movimento altera, ou não, a correlação de forças na disputa pelo Palácio do Planalto.

Foto: Beto Barata/PL/divulgação