David Almeida ataca elites e expõe divisão da Zona Franca de Manaus
Ao confirmar pré-candidatura ao governo, prefeito atacou a disparidade na arrecadação da ZFM e reforçou sua origem popular
Antônio Paulo, da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 26/03/2026 às 19:30 | Atualizado em: 26/03/2026 às 19:48
Em tom de enfrentamento político e mirando o debate eleitoral de 2026, o prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), fez nesta quinta-feira (26 de março) um dos discursos mais duros de sua trajetória recente.
Durante evento de entrega de 1.500 títulos definitivos a moradores da capital, o chefe do Executivo municipal disparou críticas diretas às elites econômicas e políticas do Amazonas, além de questionar a divisão dos recursos da Zona Franca de Manaus.
As declarações do prefeito de Manaus foram feitas, inclusive, na presença do senador Eduardo Braga (MDB-AM), até aqui seu aliado político e figura tradicional da elite amazonense. Esse confronto cara a cara, à queima-roupa deu ainda mais peso ao recado.
Ao justificar sua pré-candidatura ao Governo do Amazonas, David Almeida afirmou que sua trajetória pessoal explica os ataques que diz sofrer e, ao mesmo tempo, o legitima como representante do povo.
“Eu encontrei o motivo de tantos ataques diante de muitos êxitos da minha gestão: é a minha origem. Eu tomei banho em cacimba, tomei água de cacimba. A minha família chegou em Manaus com um lote de terra numa invasão”, declarou.
Em outro momento Almeida, reforçou o contraste com grupos tradicionais de poder no estado:
“Eu não sou filho de grupos empresariais, políticos. O povo é que é a minha origem”, afirmou.
O prefeito também mencionou o preconceito social enfrentado por quem vem das periferias e comunidades, associando sua trajetória à superação dessas barreiras.
“Existe um preconceito contra quem vem da periferia e das comunidades. Mas, foi o morador da periferia que fez duas vezes o prefeito da cidade. É por isso que eu vou sair da prefeitura para mostrar que o Amazonas não pode ser dois estados”, declarou.
Crítica à Zona Franca de Manaus
David Almeida também direcionou críticas ao modelo de arrecadação da Zona Franca de Manaus (ZFM), apontando o que considera uma distribuição desigual dos recursos gerados pelo Polo Industrial.
Segundo ele, a prefeitura, responsável direta por serviços essenciais à população, recebe a menor fatia dos tributos.
“De cada R$ 100 milhões pagos de impostos pelas indústrias, R$ 50 milhões vão para o governo federal, R$ 48 milhões para o governo do Estado e apenas R$ 2 milhões para a prefeitura. Vejam como é desigual”, afirmou.
O prefeito ainda questionou a responsabilidade sobre a manutenção de igarapés e rios, que, segundo ele, recai injustamente sobre o município.
“Sabem de quem é a responsabilidade por cuidar do igarapé, por cuidar do rio? É do Estado e da União. Não existem rios municipais”, disse, citando a Constituição Federal.
Discurso de confronto
Dessa forma, ao reforçar sua narrativa, David Almeida contrapôs a atuação da Prefeitura de Manaus com o que classificou de ausência dos demais entes federativos no cotidiano da população.
“Se tem asfalto, foi a prefeitura que levou. Se tem iluminação pública, foi a prefeitura. Se tem transporte, limpeza, creche, tudo é a prefeitura. Vejam onde estão o Estado e a União na vida do cidadão”, afirmou.
Em tom de pré-campanha, o prefeito deixou claro que pretende levar esse debate ao cenário estadual, defendendo a necessidade de um governador alinhado às demandas municipais.
“Eu vou entregar a prefeitura porque sei da necessidade que os prefeitos têm de ter um governador comprometido com o povo da sua terra”, declarou.
Recado político
Na avaliação de analistas políticos do Amazonas, as declarações consolidam um movimento de David Almeida de assumir um discurso mais combativo, voltado tanto contra adversários políticos quanto contra estruturas econômicas consolidadas no estado.
Ao mesmo tempo, o prefeito tenta se posicionar como um candidato de origem popular, com discurso de enfrentamento às desigualdades, estratégia que deve marcar sua caminhada rumo à disputa pelo Governo do Amazonas em 2026.
Foto: BNC Amazonas
