Por Iram Alfaia, de Brasília

 

Os deputados Marcelo Ramos (PL) e NIlto tatto (PT-SP) dizem que o país pode ser prejudicado na sua pauta de exportação após as declarações polêmicas do presidente Jair Bolsonaro (PSL) sobre o Fundo Amazônia, programa de preservação ambiental e de desenvolvimento sustentável da região.

Neste domingo, dia 11, Bolsonaro foi ríspido com a ministra alemã do Meio Ambiente, Svena Schulze, que anunciou o congelamento da doação de R$ 155 milhões feita pelo seu país ao Fundo por causa do crescimento do desmatamento.

O Inpe alertou que a destruição em junho cresceu 88% e em julho 278% em comparação com iguais períodos de 2018.

“Ela [Alemanha] não vai mais comprar a Amazônia, vai deixar de comprar a prestações a Amazônia. Pode fazer bom uso dessa grana. O Brasil não precisa disso”, disse o presidente.

 

Leia mais 

Desmatamento na Amazônia é 60% maior que em 2018, diz Inpe

 

A ministra disse nesta segunda-feira, dia 12, que as declarações de Bolsonaro mostram que a Alemanha está fazendo o certo.

“Apoiamos a região amazônica para que haja muito menos desmatamento. Se o presidente não quer isso no momento, então precisamos conversar. Eu não posso simplesmente ficar dando dinheiro enquanto continuam desmatando”, afirmou, dizendo-se aberta ao diálogo.

 

Impacto

Segundo Marcelo Ramos, o mais preocupante é que o governo diz que não quer os recursos dos organismos internacionais, mas não apresenta nenhum plano de investimento e governança para proteger a Amazônia.

“Isso já começar a ter impacto nas exportações brasileiras, tanto que o próprio agronegócio tem pedido mais moderação do governo com as questões ambientais. Ninguém no mundo compra produtos agropecuários de quem desmata”, argumentou.

 

Leia mais 

Ministro do Meio Ambiente diz que Fundo Amazônia é inexpressivo

 

O coordenador da Frente Parlamentar Ambientalista da Câmara dos Deputados, Nilto Tatto (PT-SP), diz que a política de Bolsonaro para o meio ambiente afunda a imagem do Brasil. “A destruição da Amazônia vira preocupação internacional e ameaça as exportações do País”, alerta o parlamentar.

“Bolsonaro conseguiu o que queria: provocou a retirada de apoio financeiro à proteção da Amazônia. E ele seguirá neste passo, com Salles (ministro Ricardo, do Meio Ambiente) no comando. O argumento da soberania não pode ser usado para enfraquecer o combate ao desmatamento”, criticou Alessandro Molon (PSB-RJ), líder da oposição na Câmara dos Deputados.

 

Falta diálogo

Para o senador Jaques Wagner (PT-BA), abrir mão do dinheiro seria a pior das opções. Ele defendeu mais diálogo para melhorar a destinação dos recursos, se for esse o caso.

 

Leia mais 

Parlamentares apelam à Noruega e Alemanha pelo Fundo Amazônia

 

Numa audiência na Comissão do Meio Ambiente do Senado, o ex-secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente Francisco Gaetani disse que os países doadores do Fundo Amazônia têm outras opções para aplicar seus recursos.

“Nenhum país emergente renuncia a suas possibilidades de crescimento e nenhum país rasga dinheiro por questões ideológicas. Temos que separar o jogo político do mundo real. O fundo é uma oportunidade extraordinária. Alemanha e Noruega têm tido paciência e respeito. Têm seus interesses? Claro, como todos temos. Mas, se não formos capazes de aproveitar essa oportunidade, será um atestado de incompetência imenso. O desafio está dado. É questão de dialogar […] Rasgar dinheiro não é opção para o país neste momento”, afirmou Francisco Gaetani.

 

Foto: Drone/BNC