Cinco dos 8 deputados da bancada do AM declaram voto contra escala 6×1

A maioria da bancada amazonense na Câmara sinaliza voto favorável à PEC que extingue a jornada de seis dias de trabalho.

Iram Alfaia, do BNC Amazonas em Brasília

Publicado em: 10/02/2026 às 19:10 | Atualizado em: 10/02/2026 às 20:07

Cinco dos oito parlamentares da bancada do Amazonas na Câmara dos Deputados declararam que vão votar a favor da proposta que acaba com a escala 6×1 (seis dias de trabalho e apenas um de folga).

Desse modo, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC), enviada à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), já tem voto garantido de Átila Lins (PSD), Amom Mandel (Cidadania), Fausto Jr. (União Brasil), Pauderney Avelino (União Brasil) e Silas Câmara (Republicanos).

Os deputados Alberto Neto (PL), Adail Filho (Republicanos) e Sidney Leite (PSD) não responderam sobre como vão se posicionar diante da matéria, que é uma prioridade do governo do presidente Lula da Silva.

Pauderney diz que não há necessidade de PEC, ou seja, um projeto ordinário resolve o problema. Ele á autor de uma proposta que reduz de 44 para 40 a jornada semanal de trabalho.

“Já está pronto para votar na Comissão do Trabalho”, lembra o deputado. “O modelo tradicional de seis dias trabalhados por semana, por um dia de descanso, presente em diversos setores em nosso país, limita o tempo disponível para que os trabalhadores se dediquem às suas famílias e ao bem-estar”, justifica.

Na avaliação dele, a adoção da escala 5×2 (cinco dias trabalho por dois de descanso) influencia diretamente na recuperação física e mental do trabalhador, além da disponibilidade maior para cuidar de sua vida pessoal e social.

Debate

“Defendemos o avanço do debate e a mudança da atual escala de trabalho 6×1, por entendermos que ela já não reflete as necessidades reais do trabalhador brasileiro nem os desafios contemporâneos das relações de trabalho”, defende Átila.

Segundo o decano da bancada, é fundamental que o Congresso esteja permanentemente antenado aos temas que impactam de forma positiva a vida da população.

“Rever a escala 6×1 significa reconhecer que produtividade não pode ser alcançada às custas do desgaste físico e mental do trabalhador”, justifica.

Embora haja resistência por parte de setores empresariais, Átila diz que é preciso compreender que a “valorização do trabalhador, com jornadas mais equilibradas, repercute diretamente na melhoria da qualidade de vida, na saúde física e emocional e, consequentemente, em relações de trabalho mais justas e sustentáveis”.

Na avaliação de Amom, a proposta para o fim da jornada 6×1 está em estágio avançado, com a expectativa do governo e de lideranças parlamentares de que a votação ocorra ainda no primeiro semestre de 2026.

“Como parlamentar e cidadão eu acredito que a escala 6×1 não pode ser tratada como padrão ideal em um país onde deslocamentos chegam a três horas diárias, os salários são baixos e o acesso ao lazer é limitado”, diz.

Para ele, a discussão sobre produtividade precisa ser deslocada da lógica de extração máxima para uma lógica de sustentabilidade social.

“Defendo um novo pacto de trabalho para o Brasil, que leve em conta a qualidade de vida, a inovação e a valorização de quem produz. É hora de repensar jornadas, criar incentivos para empresas que valorizem o bem-estar e ampliar o debate sobre modelos mais sustentáveis de trabalho”, argumenta.

Fausto Jr. diz ser favorável ao projeto e garante que “vai trabalhar para garantir que a medida seja construída com equilíbrio e responsabilidade”.

Foto: Letycia Bond/Agência Brasil