Ex-secretário de Segurança vira vítima de deepfake após deixar o cargo
Vídeo manipulado com uso de inteligência artificial coloca ex-secretário no centro de ataque difamatório e acende alerta sobre o impacto dos deepfakes na disputa eleitoral de 2026
Neuton Corrêa, da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 08/04/2026 às 07:31 | Atualizado em: 08/04/2026 às 07:31
Um vídeo falso que circulou em grupos de WhatsApp na noite desta terça-feira (7) colocou o ex-secretário de Segurança Pública do Amazonas Marcos Vinícius no centro de um ataque de desinformação com uso de inteligência artificial.
O material manipulado simula uma declaração em que ele se apresenta como candidato a deputado estadual e faz afirmações comprometedoras sobre sua trajetória e motivações políticas.
A gravação, no entanto, é uma montagem grosseira. Claramente, ela apresenta indícios de adulteração na imagem e no áudio. O ex-secretário classificou o vídeo como um “ataque vil”.
Em entrevista ao BNC, Marcos Vinícius afirmou que irá registrar ocorrência na Delegacia Especializada em Crimes Cibernéticos ainda nesta quarta-feira (8). Segundo ele, a esposa, também citada no conteúdo, o acompanhará na denúncia.
O caso é a primeira ocorrência de deepfake envolvendo potencial candidato após o fim do prazo de desincompatibilização, período em que ocupantes de cargos públicos deixam suas funções para disputar as eleições de 2026.
Conteúdo ofensivo e fabricado
No vídeo, o personagem com aparência semelhante à de Marcos Vinícius afirma, em tom confessional, que pretende disputar uma vaga na Assembleia Legislativa para “manter luxos” e supostos benefícios obtidos durante sua passagem pela Secretaria de Segurança Pública.
O conteúdo inclui ainda acusações graves, como enriquecimento ilícito, relações com facções criminosas e episódios de violência doméstica.
A transcrição revela um roteiro com forte teor difamatório. O texto tenta comprometer a imagem pública do ex-gestor. A linguagem utilizada e a narrativa caricata reforçam a suspeita de manipulação digital, com uso de ferramentas de inteligência artificial para simular voz e imagem.
Justiça Eleitoral já proibiu uso de IA para fraudes
O episódio ocorre em meio ao endurecimento das regras contra o uso indevido de tecnologia nas eleições. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já estabeleceu, em resolução recente, a proibição do uso de inteligência artificial para criar ou disseminar conteúdos falsos que possam influenciar o eleitorado.
Além disso, a Corte lançou campanhas educativas em 2026 para orientar eleitores a identificar conteúdos manipulados, alertando para o risco crescente de deepfakes no processo eleitoral.
Entre as medidas adotadas pelo TSE estão:
1 – obrigatoriedade de identificação de conteúdos sintéticos (gerados por IA);
2 – responsabilização de candidatos e plataformas pela disseminação;
3 – possibilidade de remoção rápida de conteúdos falsos;
4 – aplicação de multas e até cassação de candidatura em casos graves.
Risco ampliado com avanço tecnológico
Especialistas em direito eleitoral e tecnologia alertam que o uso de deepfakes representa uma das principais ameaças à integridade das eleições. A facilidade de produção e disseminação desses conteúdos, especialmente em aplicativos de mensagens como o WhatsApp, dificulta o controle e amplia o alcance da desinformação.
O caso envolvendo Marcos Vinícius expõe, de forma concreta, esse novo cenário. A poucos meses do início efetivo da corrida eleitoral, a combinação entre tecnologia e disputa política já mostra seu potencial de impacto.
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Foto: BNC Amazonas
