Foto do fim de semana mostra uma imagem que não aparece

A ironia do registro é que, embora reúna um “time escalado” para 2026, a foto pode já carregar uma ausência futura. A de um dos seus principais personagens.

Neuton Corrêa, da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 31/03/2026 às 08:29 | Atualizado em: 31/03/2026 às 08:29

A política no Amazonas, assim como as águas do rio Negro, tem profundidades que nem sempre o olho nu alcança. No último fim de semana, uma imagem divulgada pelo governador Wilson Lima (União Brasil) tentou desenhar o futuro da sigla para 2026. No entanto, para quem lê as entrelinhas do poder, o que não foi dito gritou mais alto do que o registro oficial.

A fotografia, à primeira vista, mostra-se para cumprir um roteiro clássico de pré-campanha: alinhamento partidário, demonstração de força e apresentação de um “time” pronto para a disputa de 2026. Ao lado do presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda, Lima reuniu nomes que devem compor a chapa de candidatos a deputado estadual e federal da sigla no Amazonas.

A imagem traz um detalhe que, para os olhos mais atentos da política local, diz mais pelo que esconde do que pelo que mostra.

A foto

À esquerda de Rueda, está Roberto Cidade. Oficialmente, ele figura como um dos principais quadros do União Brasil no estado, cotado para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados em 2026. Mas, nos bastidores, o enquadramento da foto ganha outro significado.

Cidade também é tratado como peça-chave em um possível arranjo majoritário ao lado do senador Omar Aziz (PSD), onde surgiria como candidato a vice-governador. O movimento, contudo, tem um pré-requisito incontornável: sua saída do União Brasil.

É aí que a imagem “que não aparece” se revela.

A presença de Cidade na foto, ao lado da cúpula nacional do partido, pode ser interpretada menos como um gesto de consolidação e mais como um registro de transição. Nos códigos silenciosos da política, encontros públicos desse tipo, especialmente com lideranças nacionais, muitas vezes funcionam como rituais de despedida, uma espécie de última fotografia antes da mudança de rota.

Para Wilson Lima, o ato cumpre o papel de demonstrar organização e musculatura eleitoral. Para Rueda, reforça o controle sobre a estrutura partidária no estado. Já para Cidade, a imagem pode marcar o ponto exato entre dois projetos: o que ainda é e o que está por vir.

A ironia do registro é que, embora reúna um “time escalado” para 2026, a foto pode já carregar uma ausência futura. A de um dos seus principais personagens.

Na política, como na fotografia, nem sempre o mais importante é o que está visível. Às vezes, é justamente o que está prestes a sair de cena.

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Foto: reprodução