Gigantes da indústria reforçam investimentos na Zona Franca de Manaus
LG, Naturally e Elgin anunciam novos investimentos e reforçam a confiança na indústria amazonense, que cobra soluções para gargalos à expansão do modelo
Ana de Oliveira, da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 02/07/2026 às 15:10 | Atualizado em: 02/07/2026 às 15:11
Durante a 5ª edição do evento Raízes do Investimento, realizada nesta quinta-feira (2 de julho), LG, Naturally e Elgin anunciaram novos aportes e planos de expansão na Zona Franca de Manaus, reforçando a confiança no modelo industrial.
Os anúncios ocorrem em um momento de fortalecimento da zona franca. Na última reunião do Conselho de Administração da Suframa (CAS), foram aprovados 40 projetos industriais, que somam R$ 3,18 bilhões em investimentos previstos para os próximos três anos, reforçando a perspectiva de expansão do modelo — condicionada à superação de gargalos como disponibilidade de áreas, logística e segurança jurídica.
Gustavo Igrejas, titular da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (Sedecti), destacou que o polo industrial movimenta mais de US$ 40 bilhões por ano e rebateu críticas de que a zona franca seja apenas um centro de montagem.
“A maioria dos produtos fabricados no polo de Manaus está no estado da arte da fabricação. Não tem nada que é feito [de forma] mais verticalizada no mundo.”
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Aportes reforçam confiança
A LG Electronics, que completa 30 anos de atuação em Manaus, anunciou investimento de R$ 100 milhões neste ano para ampliar sua presença no segmento de soluções automotivas (B2B), em parceria com montadoras como Toyota e Volkswagen.
Com sete plantas industriais, a multinacional mantém na capital amazonense o complexo industrial da empresa com a maior diversidade de produtos produzidos em uma única unidade.
“Hoje nós somos o complexo industrial da LG Electronics com o maior número de produtos e tipos de produtos produzidos em uma única base industrial”, afirmou o gerente-geral da LG, Nelson Gouvêa.
Segundo o executivo, cerca de 97% das placas eletrônicas utilizadas nos produtos da companhia já são fabricadas na unidade de Manaus, evidenciando o avanço da verticalização da produção.

A Naturally também apresentou seus planos de expansão. A empresa anunciou a criação da WR International para exportar sorvetes de frutas tropicais ao mercado europeu.
“A cada minuto produzido, cada fruta produzida, tem um impacto social muito grande, mostrando o orgulho da nossa região”, afirmou o proprietário da empresa, Willians Diniz.

Já a Elgin informou ter investido R$ 113 milhões nos últimos dois anos. Com 40 anos de atuação na zona franca, a empresa destaca a fabricação própria de motores elétricos como estratégia para reduzir a dependência de fornecedores e ampliar sua competitividade.
“Manaus é um grande polo, bastante incentivador das indústrias nacionais”, disse o diretor da fábrica, Paulo Araújo.

Desafios à expansão
Representantes do setor industrial alertam que a continuidade da expansão da zona franca depende da superação de gargalos estruturais, logísticos e tributários.
O principal entrave é a escassez de terrenos no distrito industrial. Nelson Gouvêa afirmou que a limitação de áreas já compromete a ampliação das operações da LG.
“Não temos mais para onde expandir, estamos precisando de terreno.”
O tema tem sido debatido nas últimas reuniões do Conselho de Administração da Suframa (CAS). Leopoldo Montenegro, superintendente da autarquia, defendeu a modernização das regras de concessão de lotes industriais.
Já o presidente da Associação Amazonense de Municípios (AAM), Anderson Sousa, propôs descentralizar parte da expansão para cidades do entorno de Manaus, como Rio Preto da Eva.
Outro ponto de atenção é a logística. Segundo o diretor da Elgin, as estiagens e a crise dos rios seguem exigindo planejamento constante das empresas para evitar impactos na produção.
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Sedecti critica norma da Receita Federal
No campo tributário, a nova norma da Receita Federal foi criticada por Gustavo Igrejas, que a classificou como incompatível com as garantias constitucionais da zona franca.
“É claramente ilegal.”
Segundo ele, a medida pode elevar o custo dos insumos em um cenário no qual cerca de 60% dos componentes utilizados pelas indústrias do polo ainda são importados.
O setor também manifesta preocupação com o avanço de produtos importados sobre o mercado nacional, o que pressiona a competitividade da produção instalada em Manaus.
Fotos: BNC Amazonas
