Todo o dinheiro desviado do setor de saúde estadual no governo de José Melo (Pros), entre 2014 e 2017, mais de R$ 100 milhões, teria saído dos cofres públicos do Amazonas, sem verba federal no meio, conforme comprovação na Secretaria de Fazenda (Sefaz).

Essa constatação seria do Tribunal de Contas do Estado (TCE-AM) em inspeção no Sistema de Administração Financeira Integrada (AFI), da Sefaz, e será divulgada em relatório, segundo publicou o site A Crítica de Humaitá neste final de semana.

A notícia dá conta ainda que a Controladoria-Geral do Estado (CGE) também teria apontado essa situação em relatório de outubro de 2017, antes das fases posteriores da operação Maus Caminhos, as operações Custo Político e Estado de Emergência, que levaram à prisão o ex-governador Melo e sua esposa Edilene Oliveira e ex-secretários do governo.

Informa também o site que os ex-secretários Pedro Elias, Wilson Alecrim, Raul Zaidan, Afonso Lobo e José Duarte dos Santos Filho teriam afirmado em depoimento que não havia verba federal no esquema que teria desviado mais de R$ 100 milhões do estado.

Comprovada essa situação, conclui o site de notícias, a validade dos atos da operação pode até ser anulada.

 

Por dentro do AFI

No início de fevereiro deste ano, o TCE-AM anunciou inspeção no Sistema de Administração Financeira Integrada (AFI), da Secretaria de Fazenda (Sefaz), que controla as movimentações financeiras e contábeis do governo.

Um dos objetivos da auditoria era justamente verificar se houve uso de verbas do Fundeb (fundo federal do ensino básico) no esquema investigado da Maus Caminhos.

A inspeção no AFI foi considerada necessária para resolver a polêmica que se estabeleceu com notas técnicas da Sefaz contestando a da Controladoria-Geral da União (CGU) que apontou indícios de irregularidades nas movimentações bancárias e no sistema financeiro da secretaria.

 

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Foto: Divulgação/Secom