Jaques Wagner deixa liderança do governo no Senado
Pressionado por bastidores e sob investigação por suposta propina milionária, senador acerta saída com Lula para focar em sua defesa
Publicado em: 24/06/2026 às 20:17 | Atualizado em: 24/06/2026 às 20:23
O senador Jaques Wagner (PT-BA) anunciou oficialmente, no início da noite desta quarta-feira (24), que está deixando o cargo de líder do governo Lula no Senado Federal.
A queda do parlamentar ocorre após uma reunião de emergência com o presidente Lula da Silva (PT) no Palácio da Alvorada, motivada pelo forte desgaste político decorrente das investigações da Polícia Federal (PF).
Wagner foi o alvo central da 9ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada na semana passada. A PF investiga um esquema de fraudes financeiras e suspeita que o senador tenha recebido mais de R$ 5 milhões em vantagens indevidas, incluindo o uso de jatinhos particulares e a ocultação de um apartamento de luxo de R$ 2,5 milhões em Salvador, para atuar no Congresso em favor dos interesses do Banco Master.
Em nota publicada em suas redes sociais, o parlamentar baiano tentou adotar um tom amigável para selar sua saída:
“Acabei de ter uma ótima reunião com o presidente Lula, uma conversa entre amigos, e decidimos, em comum acordo, que me afastarei da liderança do Governo no Senado Federal. Neste momento, minha prioridade absoluta é provar minha inocência.”
A permanência de Wagner no posto havia se tornado insustentável. Nos bastidores, aliados do próprio governo vinham pressionando por seu afastamento imediato para evitar que as graves acusações e as imagens das apreensões da PF colassem na imagem do Planalto.
Durante as buscas, os agentes federais encontraram quantias expressivas de dinheiro em espécie (incluindo dólares e euros) e relógios de luxo em endereços vinculados ao petista.
A defesa do ex-líder nega categoricamente qualquer irregularidade. Os advogados já recorreram ao Supremo Tribunal Federal (STF) tentando anular a operação.
Segundo Wagner, os valores em dinheiro apreendidos têm origem totalmente lícita, sendo frutos acumulados de diárias pagas pelo Senado em missões internacionais oficiais.
Com isso, o Palácio do Planalto ainda estuda quem assumirá o comando da articulação política na Casa.
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Foto: Lula Marques/ Agência Brasil
