Líder do PL e de Bolsonaro tira máscara de Tarcísio na taxação de ricos e bets
Apesar de negar envolvimento, o governador foi publicamente reconhecido por articular a derrota da MP do IOF e reforçar alianças do centrão e da direita
Ana de Oliveira, da Redação do BNC Amazonas*
Publicado em: 09/10/2025 às 17:32 | Atualizado em: 09/10/2025 às 17:32
Poucas horas antes da derrubada da medida provisória (MP) 1.303/2025 na Câmara dos Deputados, neste dia 8 de outubro, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), declarava estar alheio a essa pauta. Portanto, não estaria influenciando parlamentares do centrão a votar contra o governo Lula da Silva.
Em nota, chegou a afirmar que estava “totalmente focado nos desafios e demandas de São Paulo” e que a questão da MP cabia ao Congresso.
Contudo, o governador bolsonarista, que sonha em disputar a Presidência da República com Lula em 2026, foi desmascarado publicamente ainda no parlamento que derrubou a MP do governo.
“Tarcísio, receba do alto da tribuna da Câmara o nosso reconhecimento e gratidão por todo o seu empenho. Você tem sido um gigante no diálogo com os presidentes de partidos de centro, para que a gente possa fazer essa coalizão contra o aumento de impostos”.
Esse discurso, em alto tom, para não deixar ninguém em dúvida, foi do líder do PL e porta-voz de Bolsonaro, o deputado Sóstenes Cavalcante (RJ).
E ele não parou por aí:
“Isso [a influência e pressão de Tarcísio sobre deputados] mostra que a centro-direita estará unida com quem o presidente Bolsonaro disser que é ele, na hora que ele quiser”.
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Controvérsias de Tarcísio
Conforme o líder do PT na Câmara, deputado Lindbergh Farias (RJ), Tarcísio “passou o dia ligando e articulando com presidentes de partido para derrotar a medida”.
Com a declaração de Cavalcante, a base do governo Lula reagiu com força.
O deputado Rogério Correia (PT-MG) acusou Tarcísio de usar a votação como ensaio eleitoral para 2026:
“Tarcísio disse que só seria candidato se todos se unissem contra o presidente Lula, antecipando um processo eleitoral do centrão com a extrema-direita”.
Já Carlos Zarattini (PT-SP) falou em chantagem política e pressão sobre deputados a mando do governador de São Paulo. E citou o envolvimento do secretário de governo Gilberto Kassab para pressionar a bancada do PSD, do qual é presidente nacional.
“Deputados receberam telefonemas de presidentes de partido, em nome do Tarcísio. Eles ameaçaram os parlamentares por causa do fundo eleitoral”, afirmou Zarattini.
O recuo e o “lapso de memória”
Nesta quinta-feira (9 de outubro), Cavalcante tentou amenizar o estrago de sua declaração. Disse que citou Tarcísio por “lapso de memória”.
“Seria injusto atribuir a vitória a uma só pessoa. A articulação foi ampla, com governadores e presidentes de partido”.
Segundo ele, também participaram do diálogo os governadores Ratinho Júnior (PSD-PR) e Ronaldo Caiado (União Brasil-GO) e o senador Ciro Nogueira (PP-PI).
“Os governadores têm ascendência sobre os deputados de seus estados. Foi um esforço conjunto”, disse o deputado.
A derrota da MP representa um rombo de cerca de R$ 40 bilhões na arrecadação federal em 2026, segundo analistas.
*Colaboraçáo da Redação do BNC Amazonas.
Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
