Lula critica Bolsonaro e lembra colapso de Manaus na covid-19
Ao instituir data comemorativa, Lula culpa negacionismo de Bolsonaro pela tragédia em Manaus e defende punição por crimes contra a humanidade.
Iram Alfaia, do BNC Amazonas em Brasília
Publicado em: 11/05/2026 às 19:24 | Atualizado em: 11/05/2026 às 19:24
Ao sancionar nesta segunda-feira (11 de maio), no Palácio do Planalto, a lei que institui o Dia Nacional em Memória das Vítimas da Covid-19, o presidente Lula da Silva lembrou que, um mês após falas “desastrosas” do ex-presidente Jair Bolsonaro sobre a doença, Manaus entrava em colapso.
Lula lembrou que, em dezembro de 2000, o ex-presidente disse que a pandemia estava chegando ao fim e um pequeno repique poderia acontecer, mas a vacina não se justificava, pois iria “inocular algo em você”.
“Essa frase foi publicada no canal do YouTube do seu filho [Eduardo Bolsonaro], aquele fujão que está nos EUA tentando pregar um golpe no Brasil (…) Um mês depois dessa fala Manaus entrou em colapso”, lembrou o presidente.
Em janeiro de 2021, faltou oxigênio nos hospitais da capital, o que resultou na morte por asfixia de milhares de pacientes.
Lula afirmou que o ex-presidente e seus ex-ministros da Saúde deveriam ser denunciados por crime contra a humanidade, pois se agissem, conforme as orientações científicas, poderiam ter evitado no mínimo 400 mil das 700 mil vidas perdidas em decorrência do coronavírus no país.
> “Muitas vezes a fala dele na televisão era a demonstração de uma ignorância absoluta sobre o assunto, mas pelo menos teria de ouvir quem sabe. E o que reivindicava-se naquela época? Que ele montasse um comitê de especialistas, que ouvisse os principais cientistas brasileiros para que o Estado pudesse ter uma orientação no trato com a sociedade brasileira”, disse o presidente se referindo a Bolsonaro.
Ele questionou por que as entidades médicas não abriram processos contra presidente, os ministros e os médicos que foram para a imprensa defender o uso do medicamento cloroquina contra a doença.
Memória
Segundo o presidente, a iniciativa da lei reforça a importância da memória coletiva. “Reafirma o compromisso do Estado brasileiro com a defesa da vida, da ciência e do fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS).
Além disso, o dia ressalta a necessidade da escuta atenta aos especialistas. Uma escuta que, se fosse adotada naquele período, poderia ter evitado milhares de mortes”, afirma.
Por isso, diz o presidente, o governo valorizar e incentiva a vacinação. “Ampliamos o acesso à imunização. Intensificamos o combate à desinformação, com impacto direto na recuperação da confiança nas vacinas no país. Como resultado, nos últimos três anos, revertemos a queda nas coberturas vacinais. Em 2025, o Brasil registrou aumento no número de crianças vacinadas, e interrompeu a sequência de quedas observada até 2022”, explica.
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A data escolhida simbolicamente é o dia 12 de março, referência ao registro da primeira morte no Brasil, em 2020.
Foto: Secom/Divulgação
