Renato Freitas aponta racismo na criminalização da maconha

Deputado do PT assume ser "maconheiro" e afirma que a criminalização da maconha tem caráter racista.

Dassuem Nogueira, da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 02/12/2025 às 16:37 | Atualizado em: 02/12/2025 às 16:37

Renato Freitas (PT), deputado estadual pelo Paraná, assumiu publicamente ser usuário de maconha e cobrou dos políticos brasileiros um posicionamento sobre o tema.

O deputado, um homem negro, afirmou que a criminalização no país tem um caráter racista.

Suas declarações têm tido ampla repercussão na internet, sobretudo, da linha conservadora que criticam o consumo de maconha por uma autoridade pública.

A fala de Freitas não é um “mi mi mi”, apelido dos discursos politicamente corretos na internet.

Maconheiro

Em sua fala, o deputado, afirmou que não é usuário de canabis, nome científico da planta:

Não sou canabizeiro, sou maconheiro

A fala está conectada com o que se aponta no debate sobre a criminalização e o racismo. Pois quando uma pessoa negra, ou racializada, é flagrada com maconha, a terminologia utilizada para ela é a de “maconheira/o”.

Além disso, é comum que pessoas negras ou racializadas sejam tratadas (inclusive pela imprensa) como traficante, levadas para delegacia e recebam tratamento violento.

Já uma pessoa branca na mesma situação ou em condições de ser pronunciada como suspeita de tráfico, é tratada pelo termo usuária.

Encarceramento

Estudos e documentos indicam que o seu consumo, e de seus subprodutos, com fins terapêuticos ou medicinais, que são legalizados, são acessados, quase exclusivamente, por pessoas brancas. 

Nesse contexto, a maioria da população negra que consome maconha termina encarcerada.

Assim, a criminalização contribui para o encarceramento em massa da população negra e pouco para a parcela branca.

Guerra

Outro aspecto apontado por grupos envolvidos na Marcha da Maconha são as consequências nocivas da guerra antidrogas para a população negra, já que é a maioria dos ocupantes das áreas pobres combatidas pelos governos.

A Marcha da Maconha é realizada em todo o mundo. Acontece no Brasil desde 2002.

Os organizadores produzem documentos com pesquisas sobre o tema que reforçam a fala do deputado.

Foto: Orlando Kissner/Alep