Michelle pode ‘jogar n’água’ Bolsonaro e filhos e sair com Tarcísio
Ex-primeira-dama articula sucessão com Tarcísio de Freitas, ameaçando os planos políticos de seus enteados.
Publicado em: 25/01/2026 às 09:38 | Atualizado em: 25/01/2026 às 09:40
A atuação de Michelle Bolsonaro para converter a prisão de Jair Bolsonaro em regime domiciliar está sendo interpretada por aliados como um movimento estratégico que pode desidratar as pretensões políticas dos enteados e consolidar uma aliança com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
A ex-primeira-dama tem agido como “porta-voz institucional” do bolsonarismo, estabelecendo pontes diretas com ministros do STF, como Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes. Essa interlocução, feita à revelia de Carlos e Flávio Bolsonaro, gerou forte atrito familiar:
Carlos Bolsonaro utilizou as redes sociais para criticar movimentações “dissimuladas” que visariam medir forças com o próprio pai e sabotar projetos internos.
Flávio Bolsonaro, que detém uma carta manuscrita do pai indicando-o como pré-candidato, vê seu espaço ameaçado pela influência crescente da madrasta sobre o ex-presidente.
A chapa Tarcísio-Michelle como alternativa a 2026
Interlocutores apontam que Michelle enxerga na saída de Bolsonaro da prisão a chance de reorganizar a direita.
Em vez de apoiar a “herança natural” pleiteada por Flávio, ela trabalha para viabilizar Tarcísio de Freitas como o nome principal para a sucessão presidencial, possivelmente formando uma chapa com ela mesma na vice.
O movimento ganha força em setores da direita e do centrão, que veem na dupla uma composição mais agregadora do que a manutenção do clã Bolsonaro no protagonismo direto.
Tensões e o recuo de Tarcísio
O clima de desconfiança aumentou após Tarcísio cancelar uma visita a Bolsonaro na prisão, no mesmo período em que Michelle ampliava seus contatos no STF.
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Embora o governador afirme ser candidato apenas à reeleição em São Paulo, sua figura permanece no centro da disputa entre os dois caminhos do bolsonarismo:
A rota de Flávio: baseada na herança sanguínea e na indicação formal de Bolsonaro.
A rota de Michelle: focada na aliança com Tarcísio e em uma liderança mais institucionalizada.
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Foto: José Cruz/Agência Brasil
