‘O pobre no orçamento e o rico no imposto’, defende Haddad sobre justiça fiscal

Presidente Lula e ministro reforçam que elite deve contribuir para saúde e educação públicas

Da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 18/10/2025 às 16:07 | Atualizado em: 18/10/2025 às 16:10

O presidente Lula da Silva e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, participaram neste sábado (18 de outubro) de um evento com cursinhos populares para reforçar a pauta da justiça fiscal e do combate à desigualdade no Brasil.

Haddad destacou que a classe trabalhadora paga impostos regularmente, enquanto no topo da pirâmide social há um ponto em que o Estado não alcança e os mais ricos deixam de contribuir. Foi essa realidade que inspirou o slogan do presidente:

“O pobre no orçamento e o rico no imposto”, declarou Haddad.

O objetivo do governo, segundo Lula e Haddad, é garantir que os mais ricos contribuam para o fundo público, responsável por financiar serviços essenciais como saúde e educação.

“Essa turma tem que colaborar com a saúde, com a educação, essa turma tem que colaborar com a segurança pública. Não é deixar dinheiro lá em cima rendendo sozinho e não participar do fundo que mantém o SUS, a universidade pública, a escola pública”, disse Haddad.

O ministro ressaltou que essa proposta provoca desconforto entre os mais abastados:

“Vocês não podem calcular o quanto isso incomoda o andar de cima”.

Lula classificou a desigualdade como um problema estrutural e humano, e não divino. O presidente então conclamou a população a se posicionar contra o sistema:

“Nós temos que nos rebelar para mudar essa situação”.

A disputa por recursos se manifesta nos investimentos sociais. Ao defender o programa Pé de Meia — auxílio financeiro a estudantes em vulnerabilidade — Lula reconheceu que a elite reclama dos gastos. O programa atende atualmente 4 milhões de alunos e demanda R$ 6 bilhões.

“A Faria Lima vai brigar com a gente, os banqueiros vão reclamar ‘nossa, esse governo tá gastando R$ 6 bilhões com Pé de Meia’”, ironizou Lula.

O presidente finalizou destacando a importância da igualdade de oportunidades:

“Eu não quero prejudicar ninguém, mas eu quero que a filha da empregada doméstica possa fazer o Enem ao lado do filho da patroa dela e vença aquele que for mais qualificado”.

Foto: Ricardo Stuckert/PR