Criticado já na revelação de suas linhas básicas, o plano Dubai para a Amazônia, que estaria em gestação na Secretaria Especial de Produtividade, Emprego e Competitividade (Sepec), o órgão do Ministério da Economia responsável pela Zona Franca de Manaus (ZFM), é um arremedo mal copiado do projeto que foi implantado na cidade dos Emirados Árabes Unidos.

Representante em Brasília das entidades que dirigem a indústria da ZFM no Amazonas, Saleh Hamdeh escreveu artigo nesta terça, dia 11, para explicar o abismo que separa o projeto árabe do brasileiro.

Ele cita vários pontos que embasam sua afirmação de que o anunciado plano Dubai na Amazônia não passa de um pesadelo.

Trata-se de projeto que nasceu nos gabinetes de Brasília, da mente de pessoas que não conhecem o Amazonas e a Amazônia.

Outra diferença fundamental entre os planos Dubai é que lá, no Oriente Médio, o governo investiu pesadamente em infraestrutura. No Brasil, os governos não investem nem em saneamento básico, diz o representante da indústria amazonense.

“A não ser que a ideia seria mostrar aos turistas nossos igarapés recheados de esgoto”, diz trecho do artigo de Hamdeh, que você confere na íntegra, abaixo.

 

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Projeto Dubai na Amazônia

 

Por Saleh Hamdeh*

Certamente para nós, defensores das novas matrizes econômicas para a Amazônia, ler essa reportagem pode soar como Ravel.

O projeto Dubai em Dubai, foi pensado e projetado com inteligência e executado com muito dinheiro gerado pelo petróleo.

O projeto Dubai na Amazônia, por não conhecermos detalhes, nos parece mais uma aventura imaginada a partir dos gabinetes de Brasília.

 

Ideias sem dinheiro = sonho

Sonho sem ações = pesadelo

É preciso entender como foi construído o projeto Dubai em Dubai, para não continuarmos no pesadelo.

Apenas como exemplo, no eixo do turismo, no projeto Dubai em Dubai, o principal gargalo era como fazer o turista chegar a Dubai, e a solução foi criar uma das maiores e melhores companhias aéreas do planeta, a Emirates.

O projeto Dubai na Amazônia certamente terá seus gargalos, que não devem ser poucos, e só nos resta aguardar como serão tratados e superados, haja vista não termos recursos nem para saneamento básico, o que dirá para as demais infraestruturas necessárias.

A não ser que a ideia seria mostrar aos turistas nossos igarapés recheados de esgoto.

Em relação à piscicultura, o estado de Rondônia, em parceria com a Embrapa, tem evoluído muito e deveria ser estimulado e fortalecido.

Fármacos e fitocosméticos, ou qualquer outro bionegócio, exigirá um novo marco legal, associado a muito investimento em PD&I [pesquisa, desenvolvimento e inovação].

E, por fim, a mineração, que precisa ser muito bem avaliada sobre onde ficará a riqueza gerada. Via de regra, é no destino que se gera agregação de valor.

As pessoas que pensaram e projetaram Dubai em Dubai certamente viveram e/ou conheceram Dubai. As pessoas que estão pensando Dubai na Amazônia parecem ainda não terem desembarcados na Amazônia, ou mesmo conversado com quem vive e/ou conhece a Amazônia.

Penso, com essas considerações, que a divulgação na mídia foi precipitada.

 

*O autor é representante, em Brasília, da Federação e do Centro das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam e Cieam).

 

Foto: BNC Amazonas e site Guia em Dubai