Ruralistas cobram reação após China impor cotas à carne

Bancada ruralista alerta para risco de instabilidade no mercado já em 2026 e defende abertura urgente de negociação com autoridades chinesas

Ruralistas cobram reação após China impor cotas à carne

Da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 02/01/2026 às 12:33 | Atualizado em: 02/01/2026 às 12:35

A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) reagiu com preocupação ao anúncio do governo da China de que passará a adotar, a partir de 2026, um sistema de cotas tarifárias por país para a importação de carne bovina.

A nova política prevê a aplicação de uma tarifa adicional de 55% sobre os volumes que ultrapassarem o limite anual estabelecido, medida que pode afetar de forma significativa as exportações brasileiras.

Para a bancada ruralista, a decisão chinesa “exige reação imediata” por parte do Brasil, a fim de evitar instabilidade no mercado e impactos negativos já no início do próximo ano. Em nota, a FPA informou que irá atuar junto ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), ao Itamaraty e à área de comércio exterior do governo federal para abrir um canal de diálogo com as autoridades de Pequim.

Além das articulações diplomáticas, a bancada pretende solicitar um levantamento técnico detalhado sobre o fluxo recente das exportações de carne bovina.

O objetivo é embasar a estratégia brasileira nas negociações e reduzir o risco de desorganização do mercado, efeitos sobre o ritmo de abate e queda na renda dos produtores.

A decisão da China integra um movimento de proteção à sua indústria pecuária, em meio à desaceleração do consumo interno e à preocupação do governo chinês com a renda dos produtores locais.

Na prática, o novo modelo impõe um limite mais rígido à entrada de carne estrangeira no país, atualmente o maior importador mundial de carne bovina.

De acordo com as regras anunciadas pelo Ministério do Comércio da China (MOFCOM), cada país exportador terá direito a um volume anual com a manutenção das tarifas atualmente em vigor. A partir do terceiro dia após o atingimento da cota, os embarques adicionais estarão sujeitos a uma tarifa extra de 55%, aplicada sobre as alíquotas já existentes. Os volumes não utilizados não poderão ser transferidos para o ano seguinte, e o sistema permanecerá válido até o fim de 2028.

No caso do Brasil, a cota anual foi fixada em 1,1 milhão de toneladas — volume considerado inferior ao patamar atualmente exportado ao mercado chinês.

Entre janeiro e novembro deste ano, o país embarcou 3,15 milhões de toneladas de carne bovina, das quais 1,52 milhão de toneladas tiveram como destino a China.

A elevada dependência do mercado chinês amplia o impacto potencial da medida sobre o setor pecuário brasileiro.

Estima-se que o país asiático responda por cerca de metade de todas as exportações brasileiras de carne bovina, o que reforça a preocupação da FPA com os efeitos econômicos e a necessidade de uma resposta coordenada do governo brasileiro.

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Foto: Marcello Casal JrAgência Brasil