Senador cobra explicações sobre venda da mina de urânio aos chineses

A Justiça federal no Amazonas acatou ação para que a mineradora Taboca e estatal chinesa expliquem a transação.

Iram Alfaia, do BNC Amazonas em Brasília

Publicado em: 27/08/2025 às 20:40 | Atualizado em: 27/08/2025 às 20:40

Autor de mandado de segurança acatado pela Justiça federal no Amazonas, o senador Plínio Valério (PSDB) voltou a cobrar explicações sobre a venda da mina de Pitinga, no município de Presidente Figueiredo, para a estatal chinesa China Nonferrous Trade.

“A Justiça federal no Amazonas determinou, em mandado de segurança por mim interposto, que todos os envolvidos na venda da mineradora amazonense Taboca à estatal chinesa apresentem informações detalhadas sobre a operação”, discursou no plenário o senador nesta quarta-feira (27 de agosto).

Na ação, Valério denuncia que a transação viola a Constituição e as leis ordinárias brasileiras que restringem a aquisição de terras e a exploração de minerais estratégicos por estrangeiros.

“A operação teve um custo de R$ 2 bilhões e a decisão, tomada pela juíza Jaiza Fraxe, da 1ª Vara Federal, vale para todos os órgãos e empresas nela envolvidas”.

De acordo com o senador, sabe-se que a mina do Pitinga contém terras raras, minerais que ‘despertam a cobiça’ tanto dos Estados Unidos quanto da China”.

Valério afirmou que tanto o urânio quanto as terras-raras dessa região frequentemente não podem ser explorados pelos antigos donos.

“Foram jogados rejeitos, você pega o bloco, tira o estanho e o rejeito vai para a montanha, porque a Pitinga e a empresa peruana [Taboca] não têm know-how, expertise para tornar o rejeito de urânio em urânio, mas os chineses têm, tanto é que estão patrocinando uma bomba atômica no Paquistão”, afirmou.

A mina explora, em especial, o estanho e a cassiterita.

“A batalha judicial está apenas começando, mas o primeiro passo constitui, por si só, uma vitória. Há muitas importantes decisões em jogo, que alcançam nossas relações internacionais e nossa economia. Sei que a batalha contra os chineses não é fácil. Eles têm dinheiro e estão comprando terras raras em todo o mundo. Mas, aqui no Brasil, existem leis”, disse o senador.

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Foto: reprodução/vídeo