Tarifaço de Trump impacta entrada da ZFM no mercado internacional
Produtos mais afetados serão as motocicletas e componentes, dispensadores de papéis-moeda, lentes, bebidas e madeiras
Antônio Paulo, do BNC Amazonas em Brasília
Publicado em: 02/06/2026 às 20:25 | Atualizado em: 02/06/2026 às 20:30
A imposição de nova sobretaxa de 25%, do governo do presidente Donald Trump, dos Estados Unidos, a produtos brasileiros, vai afetar diretamente a Zona Franca de Manaus (ZFM).
De acordo com a Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), os produtos mais afetados serão: as motocicletas e componentes, dispensadores de papéis-moeda, lentes, bebidas e madeiras
Embora, a exportações do polo industrial de Manaus para os Estados Unidos não sejam o carro-chefe das vendas, voltado mais para o mercado interno, os empresários e entidades industrias da ZFM ficaram bastante preocupados com as novas medidas anunciadas na noite desta segunda-feira (1 de junho), com entrada em vigor a partir de 1 de julho deste ano.
Dados da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), em 2025, mostram que as exportações do polo industrial de Manaus chegaram a US$ 664,6 milhões de dólares (R$ 3,69 bilhões).
Em contrapartida, as importações, principalmente de insumos e componentes alcançaram US$ 14,7 bilhões de dólares, o equivalente a R$ 82 bilhões da moeda brasileira. O que significa dizer que o saldo da balança comercial (importação x exportação) foi negativo.
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Produtos pagam impostos no EUA
Para o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), Antônio Silva, a recente imposição de tarifas de 25% pelos Estados Unidos exige cautela do setor produtivo amazonense.
Ele esclarece que os incentivos fiscais da Zona Franca de Manaus operam estritamente no âmbito interno brasileiro. Portanto, ao chegarem ao mercado americano, os produtos da ZFM não estão isentos e sofrerão a incidência integral da nova taxa, o que encarece diretamente as exportações.
Isso exigirá uma reavaliação de custos pelas indústrias do Amazonas para tentar preservar a competitividade. Portanto, esse cenário impacta bens manufaturados que compõem a nossa principal pauta exportadora para os EUA.
Ameaça à inserção internacional
De acordo com o presidente da Fieam, dentre os produtos da ZFM mais afetados pela sobretaxa, destacam-se: as motocicletas e seus componentes, dispensadores de papéis-moeda, lentes, preparações para a elaboração de bebidas e madeiras.
Desse modo, a oneração dessas cadeias comerciais ameaça reduzir a dinâmica do nosso fluxo de vendas externas, prejudicando a inserção internacional do Polo Industrial de Manaus.
“Apesar do desafio restritivo, confiamos no diálogo institucional para contornar o impasse. É fundamental que o governo federal, sobretudo por meio do Itamaraty e do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), estabeleça negociações pragmáticas e céleres em Washington. O objetivo deve ser a busca proativa por acordos que mitiguem ou revertam essa taxação, demonstrando tecnicamente que a manutenção de uma parceria econômica bilateral forte e sem barreiras é estratégica e vantajosa para ambas as nações”, avalia Antônio Silva, presidente da Fieam.
Impacto pequeno no eletroeletrônico
Por outro lado, o principal setor de produção e faturamento do polo industrial de Manaus, o Eletroeletrônico – aliado ao de Informática – o impacto tende a ser muito pequeno, de acordo com o presidente da Eletros, Jorge Nascimento
Isso porque a produção de eletroeletrônicos na ZFM é destinada majoritariamente ao mercado brasileiro, com exportações inexistentes ou pouco relevantes para os Estados Unidos.
De acordo com os dados da Suframa, em 2025, os setores eletroeletrônico e de informática faturaram juntos R$ 86,38 bilhões (US$ 15,51 bilhões de dólares), representando 37,7% de todo o faturamento do polo industrial de Manaus: R$ 229,1 bilhões (US$ 41,1 bilhões de dólares.
No entanto, Nascimento explica que caso algum produto fabricado no Brasil seja exportado para o mercado norte-americano e esteja abrangido pela medida anunciada pelo governo dos EUA, a tarifa poderá ser aplicada normalmente na entrada do produto naquele país, independentemente de ter sido produzido na Zona Franca de Manaus.
Tarifa de reciprocidade
“Neste momento, não identificamos reflexos relevantes para a indústria eletroeletrônica instalada na Zona Franca. Mas, caso o Brasil aplique a reciprocidade, poderemos ter impactos já que alguns insumos são adquiridos dos EUA e havendo aumento do imposto há uma elevação no custo de produção, como no caso dos semicondutores”, avalia Jorge Nascimento.
Questionado sobre a postura que o governo do Brasil deve adotar para amenizar, mitigar e até resolver essa questão comercia – se jogar duro ou manter o diálogo, a diplomacia – o presidente da Eletros é categórico: “Sempre manter o diálogo. E este governo sabe dialogar”.
Foto: José Paulo Lacerda/CNI
