Terras raras: em acordo com Espanha, Lula diz que erros do passado não se repetem
Parceria prevê cooperação tecnológica e ambiental; presidente afirma que país não repetirá modelo de exploração do passado
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 20/04/2026 às 11:55 | Atualizado em: 20/04/2026 às 11:55
O presidente Lula da Silva afirmou que o Brasil não repetirá erros históricos na exploração de recursos naturais ao comentar o acordo firmado com a Espanha na área de terras raras.
A declaração foi feita após a assinatura de um pacto de cooperação com o chefe do governo espanhol, Pedro Sánchez. Como informa o Correio Braziliense.
O acordo prevê colaboração entre os dois países em toda a cadeia produtiva desses minerais estratégicos, incluindo desenvolvimento, mineração, refino, gestão ambiental, uso de tecnologias digitais e intercâmbio de conhecimento.
As chamadas terras raras são fundamentais para a produção de baterias, eletrônicos e outras tecnologias de ponta, o que tem ampliado o interesse internacional sobre as reservas brasileiras.
Durante conversa com jornalistas, Lula destacou que o Brasil está aberto a parcerias, mas deixou claro que não abrirá mão do controle sobre suas riquezas minerais. Segundo ele, a exploração desses recursos deve ocorrer com agregação de valor dentro do próprio país.
“Nós estamos dispostos a fazer acordo com todos os países que fizerem acordo com o Brasil. E o processo de transformação se dará dentro do Brasil. Nós não vamos repetir com as terras raras o que aconteceu com o minério de ferro e com a bauxita”, afirmou o presidente.
Lula também classificou as terras raras como uma questão de segurança nacional e reforçou que o país pretende assumir protagonismo na gestão desses recursos estratégicos. “Ninguém, a não ser o Brasil, será dono da nossa riqueza mineral”, enfatizou.
A assinatura do acordo ocorre em meio a pressões internacionais. No início do ano, os Estados Unidos apresentaram ao Brasil uma proposta de cooperação semelhante, inspirada em modelos já adotados com outros países, como a Austrália.
Assim, o governo brasileiro, no entanto, identificou pontos considerados sensíveis no texto, incluindo uma possível cláusula de exclusividade na venda dos minerais para os norte-americanos.
Diante desse cenário, o Planalto tem buscado diversificar parcerias e garantir que eventuais acordos envolvam transferência de tecnologia e benefícios diretos para a indústria nacional, evitando a repetição de modelos históricos de exportação de commodities sem valor agregado.
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Foto; Ricardo Stuckert/PR
