Trégua entre Aziz e Cidade sinaliza entendimento

Aponta-se que o sinal desse entendimento foi o dia de ontem.

Trégua entre Aziz e Cidade sinaliza entendimento

Neuton Corrêa, da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 09/04/2026 às 07:59 | Atualizado em: 09/04/2026 às 08:22

Observadores de ambos lados avaliam que o senador Omar Aziz (PSD) e o deputado estadual Roberto Cidade (União Brasil) caminham para um iminente entendimento acerca da eleição para governador tampão do Amazonas.

Eles apontam que o sinal desse entendimento foi o dia de ontem. A quarta-feira (8), quarto dia após a renúncia do governador Wilson Lima (União) e de seu vice, Tadeu de Souza (PP), foi de trégua. Não houve declarações públicas nem insinuações diretas ou transversais.

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Os termos das negociações que acalmaram os ânimos ainda são desconhecidos do público. Mas pode-se conjecturar que as únicas coisas que fazem os dois lados recuarem são os princípios políticos que eles defendem nesta quadra eleitoral.

Nesse sentido, Omar Aziz defende a candidatura a governador em outubro, sem enfrentar um candidato que esteja na chefia do Executivo. Este pode ser Roberto Cidade, que pode se candidatar a governador-tampão em eleição indireta. Mas Cidade pode ter uma surpresa, porque os aliados do senador avaliam que ele pode atrapalhar os planos de Cidade, também se candidatando a governador-tampão.

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ENTENDA O CASO

A realização de uma eleição para governador-tampão no Amazonas não é apenas um movimento político. Ela é uma imposição constitucional decorrente de uma “tempestade perfeita” no calendário eleitoral de 2026. Entenda os pilares que levaram a este cenário:

1 – A renúncia de Wilson Lima: Para disputar as eleições gerais de outubro de 2026 (Senado Federal), o então governador Wilson Lima (União Brasil) precisou renunciar ao cargo até o dia 4 de abril. Essa regra é conhecida como desincompatibilização. A lei exige o afastamento de chefes do Executivo seis meses antes do pleito.

2 – A saída do vice: Diferente do que ocorre na maioria das sucessões, o vice-governador, Tadeu de Souza (PP), também renunciou ao cargo na mesma data. Com isso, a linha sucessória imediata foi interrompida. Assim, deixou o Palácio da Compensa vago.

3 – O rito constitucional: Segundo a Constituição do Estado do Amazonas, quando os cargos de governador e vice ficam vagos nos dois últimos anos do mandato, a eleição para o sucessor não é feita pelo povo (voto direto), mas sim pelos deputados estaduais.

4 – O papel da ALE- AM: Com a vacância, o presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM), Roberto Cidade, assumiu interinamente o governo. Agora, o Poder Legislativo tem o prazo de 30 dias para organizar a eleição indireta.

5 – O mandato-tampão: O vencedor desta disputa entre os deputados governará o estado apenas até o dia 5 de janeiro de 2027. Ele servirá como uma transição administrativa até que o novo governador, eleito pelo voto popular em outubro, tome posse oficialmente.

Foto: reprodução